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Safra catarinense de milho supera números nacionais

A expectativa é de um aumento aproximado de 28% em relação ao ano passado


Ainda falta colher 30% da área de milho para fechar a safra em Santa Catarina, mas a expectativa é que a produção do grão aumente cerca de 28% em relação ao ano passado. O aumento estimado para o Estado é maior que o brasileiro, estimado em 20%. O detalhe é que a safra catarinense deve aumentar mesmo com uma redução de 10% na área plantada, que atualmente é de 708 mil hectares. Simão Brugnago Neto, responsável pelas culturas de milhos, feijão e soja do Centro de Estudos de Safras e Mercados (Epagri/Cepa), afirma que o aumento se deve às condições climáticas. "Na safra passada, a falta de chuva atrapalhou o rendimento do milho. Já nessa safra o tempo ajudou e as chuvas apenas atrasaram um pouco a colheita", diz.

O milho, como o feijão, é uma cultura que possui duas safras. A principal, chamada de primeira safra inicia a partir de setembro, com o plantio, e termina por volta de março, com a colheita. Na safrinha, o plantio começa entre dezembro e janeiro e a colheita, em maio. Em muitos casos, a safrinha é plantada após a colheita do fumo ou feijão. Brugnago diz que em Santa Catarina a safrinha praticamente inexiste, e que ela ocorre "do Paraná para cima", em Estados mais quentes.

Mais de 35 milhões de toneladas

Segundo Brugnago, a estimativa é que a safra nacional de milho renda em torno de 35,8 milhões de toneladas e que a safrinha chegue a 14 milhões de toneladas. Em Santa Catarina, espera-se que a cultura renda cerca de 3,7 milhões de toneladas. Apesar do aumento da produção de milho, o Estado não deve ficar com o grão estocado. "Mesmo com mais produção, Santa Catarina terá um déficit de 1,5 milhão de toneladas de milho", afirma. A solução utilizada é comprar o grão de outros Estados.

Devido a oferta insuficiente, o preço do produto pode não sofrer grande queda. Hoje, em Chapecó, em um importante fornecedor de milho, a saca de 60 quilos de milho está custando R$ 16, um preço considerado razoável. Em relação à safra passada, está R$ 4 mais cara. Mas em fevereiro desse ano chegou a R$ 17,5. Na região Sul, a saca custa R$ 20.

Já no caso do Brasil, a produção esperada de 51 milhões com a safra e a safrinha (aumento de 20% em relação a safra e safrinha passada), irá gerar um superávit. A saída será exportar parte da produção. Segundo Brugnago, mesmo que as exportações brasileiras atinjam 7,5 milhões de toneladas, os estoques nacionais poderão crescer para aproximadamente 9,5 milhões de toneladas.

Queda ou alta do preço depende de fatores externos

Brugnago afirma que a queda ou alta no preço do produto irá depender de fatores como o dólar e a produção nos Estados Unidos. Um relatório divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em março revelou que a área a semeada deve ser de cerca de 90,4 milhões de acres. A área ficou acima dos esperados 88 milhões de acres. A safra americana poderá chegar a 330 milhões de toneladas, bem acima das 267,6 milhões de toneladas da safra passada.

Para Brugnago, se a previsão se comprovar, a produção americana de milho será suficiente tanto para atender ao incremento de milho previsto na fabricação de etanol - que segundo ele deve ser 26,7 milhões de toneladas -, quanto para fazer com que os estoques do grão no país saltassem de 19 milhões de toneladas para cerca de 40 milhões de toneladas. No entanto, o engenheiro agrônomo afirma que ainda é prematuro definir que rumos o mercado exterior tomará. "Apesar do atual cenário sinalizar para um comportamento baixista, os rumos do mercado internacional ainda não estão definidos, pois além dos números sobre o plantio ainda estarem sujeitos a alterações, as especulações sobre o clima também devem provocar oscilações nas cotações", afirma.

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