Safra com melhor produtividade anima Oeste da Bahia
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Agronegócio

Safra com melhor produtividade anima Oeste da Bahia

No entanto, as dívidas contraídas nos últimos anos ainda vão pesar
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Reuters - A colheita da safra de soja 2006/07 está começando no oeste da Bahia com a perspectiva de melhor produtividade e preços mais remuneradores, mas as dívidas contraídas nos últimos anos ainda vão pesar nos balanços, disseram importantes produtores.

Dados da prefeitura de Luís Eduardo Magalhães mostram que produtores da região deixaram de pagar na última safra o equivalente a 70% do custeio, ou cerca de 2,3 bilhões de reais. Para alguns produtores, o percentual é ainda maior.

E, apesar dos preços atuais atrativos, boa parte da produção já foi comprometida, a cotações mais baixas que as atuais e em condições desfavoráveis ao produtor.

"Os produtores estão saindo de uma safra problemática, mas boa parte do crédito (para custeio da safra atual) veio de empresas privadas (empresas de insumos), que é mais caro que o do governo. Eles não fizeram dinheiro até agora", disse Fábio Meneghin, analista da Agroconsult, à Reuters, durante o "Rally da Safra", evento que percorre as principais áreas de produção do país.

Segundo dados da Bunge na região, 57% da produção da região de Barreiras já foi comprometida. Em Luís Eduardo Magalhães, essa parcela está em cerca de 50%.

A situação não é tão ruim quanto em outros Estados --esse número, segundo a Agroconsult, chega a 70% no Piauí-- mas também está longe de uma média considerada satisfatória pela consultoria, de 35% a 45%. Para o produtor Paulo Magerl, a parcela da safra comprometida na região chega a 90%, o que faz com que o produtor fique "engessado."

"Acho que neste ano o produtor vai botar a casa em ordem", afirmou um representante da Bunge presente num encontro com produtores e fornecedores de insumos, durante o Rally.

Um funcionário da New Holland também indicou que o retorno aos investimentos não se dará tão rapidamente. A expectativa da companhia é de venda de 25 colheitadeiras este ano na região, ante um total de 17 unidades vendidas considerando todas as marcas em 2006. Em 2002, as vendas chegaram a 50 máquinas.

Preço relativo

Apesar da recente melhora nos preços internacionais da soja, boa parte dos produtores não vai poder aproveitar uma vez que teve de comprometer boa parte da produção a valores menores.

Segundo produtores presentes no evento, a maioria do volume foi comprometido a cerca de US$ 11 a saca na área de Luís Eduardo. Em Barreiras, a média ficou em US$ 10,50. A valorização do real também não tem ajudado. "Como não havia perspectiva de lucro, o pessoal vendeu nesse nível, então o câmbio caiu e complicou", disse um produtor.

"Este ano estamos tendo um dos melhores preços em dólar, mas em real... paga-se a conta mas não sobra dinheiro para pagar 2005/06", afirmou Carlos André Ruete, diretor do Sindicato Rural dos Produtores de Luís Eduardo Magalhães. "Este ano é apenas um respiro."

Um funcionário do Banco do Brasil observou que a renegociação das dívidas passadas também acabou causando um atraso na liberação dos recursos para custeio da safra atual. Nesta temporada, a liberação foi até novembro, enquanto em anos anteriores, 90% já estavam liberados até setembro.

Para o produtor de soja e algodão de Barreiras João Carlos Jacobsen, as perspectivas são em geral boas para 2007, com a soja sendo comercializada atualmente a US$ 13-14 por saca. Há um ano, pagava-se na região US$ 9. O principal fator a motivar essa alta é a demanda por milho para etanol nos EUA, que deve levar a uma redução na safra norte-americana de soja.

Mas os efeitos dessa recuperação de preços devem ser sentidos de maneira mais plena apenas na próxima temporada, segundo Jacobsen, citando que um fator já preocupante para 2008 é a alta nos fertilizantes, principalmente potássio e nitrogênio, de 30% em dólar nos últimos seis meses devido a problemas na oferta mundial.

A Bahia é o último Estado a ser visitado pelo "Rally da Safra", que percorreu 14 Estados em busca de um levantamento da produção nacional. A falta de chuva prejudicou a produção de grãos no Estado em 2005/06, mas este ano a expectativa é de rendimentos recordes.


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