CI

Safra de café deste ano pode ter queda de 30% na região de Franca

Região deve produzir 900 mil sacas e produtores rurais aguardam ajuda do governo federal


A produção de café na região de Franca deverá apresentar uma queda de 30%. Mas mesmo assim, a situação ainda é otimista, relatou Maurício Miarelli, presidente da Cocapec (Cooperativa de Cafeicultores e Agropecuaristas). A produção deverá chegar a 900 mil sacas. Os produtores rurais esperam ajuda do governo federal, que anunciou nessa semana a liberação de R$ 700 milhões para as cooperativas.

Miarelli explicou que a liberação dos recursos federais deverá ser discutida em assembléia com os cooperados. “Com a crise que se instalou no mundo e atingiu todos os setores no Brasil, esses recursos poderão servir para os cafeicultores para capital de giro. Mas deverá discutir sua viabilização, através da cooperativa”.

Como a liberação ainda é uma novidade no mercado cafeeiro, Maurício Miarelli disse que o assunto está sendo discutido justamente para verificar a demanda do produtor na região. “Entendo ser uma linha importante para as cooperativas, que é extensão do produtor”.

Para este ano, o presidente da Cocapec, que coordena uma das maiores cooperativas da região, afirmou que haverá uma queda de safra. Ela será em torno de 30%. Isso porque houve problemas no ano passado e está refletindo agora. A previsão é de que a região produza algo em torno de 900 mil sacas de café. “Em 2008, a produção alcançou o equivalente a 1.350 milhão de sacas”.

Para Miarelli, a agricultura brasileira não é diferente de outros países. “O setor é uma atividade de alto risco, principalmente pelas condições climáticas. Porém, ele entende que compete ao governo olhar os diversos setores da agricultura, já que as lideranças têm pleiteado inúmeras reivindicações. “O governo precisa se preocupar com a renda do produtor, pois ela está limitada a plantação. Não se faz a safra sem tomar recursos e o produtor precisa ter renda para pagar os financiamentos e ter sua vida pessoal”, disse.

O café tem sido, na região, a principal cultura produzida, mesmo com a entrada de outras atividades como leite, corte, cana, fruticultura. Franca é uma região razoavelmente diversificada.

Crédito Rural

A liberação dos recursos definida pelo governo federal ocorrerá através do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O governo prorrogará também, por 90 dias, o prazo para os bancos converterem os débitos dos produtores que aderiram à renegociação da dívida rural. A medida deve ser publicada na próxima semana. As instituições financeiras tinham até 31 de dezembro para recalcularem os juros e redefinirem as parcelas. Por causa da demora, diversos produtores que concordaram em renegociar a dívida rural não puderam começar a pagar as prestações e passaram a ser considerados inadimplentes.

Na reunião também foram definidas medidas de ajuda ao setor cafeeiro, que está sofrendo com a queda no preço do grão, atualmente em R$ 211 a saca. Para os cafeicultores, o preço mínimo ideal para cobrir os custos de produção é de R$ 320.

O governo lançará um programa de compra de contratos de café no mercado futuro para a próxima safra. O objetivo é definir um nível “aceitável” para a cotação mínima do produto nos próximos meses.

No contrato de compra de opções, o agricultor e o governo acertam um preço para a comercialização de determinado produto. Se, no vencimento do contrato, a cotação estiver menor que a acertada entre as partes, o governo assume o prejuízo e compra o produto por um valor maior que o de mercado. A operação, na prática, garante um preço mínimo para o produtor.

“O café passa por uma crise sem precedentes. Desde novembro, o setor demitiu 500 mil pessoas”, reclamou o presidente do Conselho Nacional do Café, Gilson Ximenes Abreu.

As medidas anunciadas nesta semana pelo Governo para socorrer a cafeicultura ficaram aquém das reivindicações do setor e muitos produtores podem ficar inviabilizados de ter acesso a novos empréstimos para financiar a lavoura cafeeira. A avaliação é do presidente da Comissão Nacional do Café da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Breno Mesquita. Segundo ele, a principal bandeira dos representantes dos cafeicultores não foi atendida, que era a conversão de toda a dívida dos cafeicultores, de aproximadamente R$ 3 bilhões, em produto, com a saca de 60 quilos a R$ 320. Desta forma, acrescenta Mesquita, o produtor destinaria 5% da sua renda anual para quitar seu passivo, o que daria um alívio aos cafeicultores permitindo que continuassem na atividade.

As informações partem do Diário da Franca, conforme noticiou a ABIC.

Assine a nossa newsletter e receba nossas notícias e informações direto no seu email

Usamos cookies para armazenar informações sobre como você usa o site para tornar sua experiência personalizada. Leia os nossos Termos de Uso e a Privacidade.

2b98f7e1-9590-46d7-af32-2c8a921a53c7