Safra elevada amplia oferta de milho na África do Sul
O consumo interno deve crescer de forma modesta
O consumo interno deve crescer de forma modesta - Foto: Pixabay
A perspectiva para a próxima temporada de milho indica um cenário de ampla oferta e pressão sobre o mercado interno, sustentado por condições climáticas favoráveis e pela recuperação da produção após uma colheita robusta no ciclo anterior. A combinação entre safra elevada e crescimento limitado do consumo doméstico tende a ampliar os excedentes e a direcionar maiores volumes para o comércio exterior.
De acordo com relatório do Serviço Agrícola Estrangeiro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, a safra de milho 2025-26 da África do Sul deverá alcançar 16 milhões de toneladas, beneficiada por chuvas de normais a acima da média associadas ao fenômeno La Niña durante o período de plantio, entre outubro e dezembro. A projeção vem na sequência de uma colheita estimada em 17 milhões de toneladas em 2024-25, a terceira maior já registrada no país.
O consumo interno deve crescer de forma modesta nos ciclos 2024-25 e 2025-26, passando de 14 milhões para 14,2 milhões de toneladas. O relatório aponta que o ritmo fraco da economia e o elevado desemprego mantêm o consumo per capita praticamente estável. No segmento de ração, a produção recorde de milho amarelo em 2024-25, estimada em 8,2 milhões de toneladas, tende a reduzir o uso de milho branco. O uso total de milho na alimentação animal em 2025-26 é projetado em 7,1 milhões de toneladas, ligeiramente acima do volume do ciclo anterior.
As exportações devem ganhar espaço diante do excedente doméstico, somando 2,2 milhões de toneladas em 2025-26, acima das 1,8 milhão de toneladas de 2024-25, revisão atribuída ao aumento da demanda regional, com destaque para o Zimbabué. As vendas externas seguem concentradas em países vizinhos, já que a valorização do rand limita a competitividade global, incluindo destinos como Botswana, Moçambique, Vietname, Namíbia e Essuatíni.
Os estoques finais em 2025-26 são estimados em 1,6 milhão de toneladas, suficientes para cerca de um mês e meio de consumo comercial. No ciclo 2024-25, os estoques chegaram a 2 milhões de toneladas, recuperando-se de forma expressiva após a mínima registrada em 2023-24, em um contexto em que não há reservas estratégicas governamentais nem exigências regulatórias de volumes mínimos.