Safra recorde na América do Sul pressiona preços da soja
No mercado internacional, a soja negociada na CBOT caiu 4,1% em dezembro
Foto: United Soybean Board
Após três meses de valorização, os preços da soja recuaram em dezembro e seguiram em queda na primeira quinzena de janeiro. Segundo dados divulgados no relatório da Consultoria Agro do Itaú BBA, a principal razão foi o bom desempenho da safra sul-americana, que se aproxima de um recorde histórico.
No mercado internacional, a soja negociada na CBOT caiu 4,1% em dezembro e 3,2% em janeiro, atingindo US$ 10,4/bu. No Brasil, os preços seguiram o movimento, com destaque para a praça de Sorriso (MT), onde a saca passou de R$ 116,6 para R$ 108,8.
Mesmo com os efeitos do La Niña e clima irregular no início do ciclo, a safra brasileira foi revisada para cima por diversas consultorias. A estimativa média converge para 180 milhões de toneladas, com a colheita já iniciada em Mato Grosso, alcançando 2% da área.
Em 2025, o Brasil exportou 108,2 milhões de toneladas de soja, novo recorde histórico. A China ampliou sua participação, respondendo por 79% dos embarques, ante 73% em 2024.
Nos Estados Unidos, o USDA elevou a produção para 116 milhões de toneladas, mas cortou as exportações, levando a aumento de estoques. A Argentina também registra boas condições, com 65% das lavouras em estado excelente. Com safras robustas no Brasil, Argentina e Paraguai, a oferta sul-americana deve ser recorde em 2025/26, reforçando a pressão baixista sobre os preços globais da oleaginosa.