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Sai a primeira operação de CDA/WA no mercado financeiro

Foi dado o primeiro passo para que os antigos warrants se transformem em papéis negociados no mercado


Foi dado o primeiro passo para que os antigos warrants se transformem em papéis negociados no mercado financeiro. A empresa Armazéns Gerais Columbia S.A. foi a primeira do País a emitir o novo Certificado de Depósito Agropecuário (CDA/WA). Com ele, o agricultor deposita a mercadoria em um armazém e, com o certificado do depósito na mão, usa o papel como garantia para obter empréstimos. Na prática, é uma operação similar ao Empréstimo do Governo Federal (EGF), realizado apenas pela iniciativa privada. Com a operação, um cotonicultor de Pedra Preta (MT) conseguiu crédito de R$ 5 milhões, a juros de 10% ao ano mais a variação cambial.

A diferença entre o novo warrant e o antigo, de 1903, é que o atual é isento de Imposto sobre Operação Financeira (IOF) e pode servir como título agropecuário a ser negociado no mercado. O título foi registrado pela Bolsa de Mercadoria & Futuro (BM&F) e está sob posse do Banco Rural, que financiou o produtor. O banco não informou se vai negociá-lo.

O governo estima que os agricultores possam levantar até R$ 25 bilhões com os títulos agropecuários, o equivalente a um quarto da necessidade do financiamento do setor. No entanto, ainda não ocorreram operações no mercado financeiro. "Esperamos grandes resultados, mas em longo prazo", admite Ivan Wedekin, secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Apenas a Columbia pretende faturar R$ 1 milhão neste ano com comissões sobre a emissão de CDA/WA, o equivalente a quase 10% do faturamento da divisão agrícola da empresa. "Queremos que 20% do que estiver armazenado possa servir de lastro para empréstimos", avalia Carlos Alberto Soares, gerente da divisão agrícola da Columbia. Além do algodão, produto da primeira emissão, a empresa quer trabalhar também com soja, açúcar e café.

"O título vem em um momento em que os preços do algodão estão em baixa. É uma alternativa para carregar o estoque e vender o produto em outra ocasião", diz o produtor Paulo Shimohira. Das 5,5 mil toneladas de pluma de algodão que está colhendo em Itumbiara (GO) e Luís Eduardo Magalhães (BA), metade foi comercializada antecipadamente. Apesar disso, ele disse que não cobre o custo de produção. O produto está cotado a R$ 1,10 a libra-peso, para um gasto de R$ 1,35 a libra-peso.

"A necessidade de recursos é imediata. O instrumento não dá a resposta na rapidez que estamos precisando", diz João Luiz Ribas Pessa, presidente da Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa). Segundo ele, como a colheita está em andamento e a popularização da operação - por parte de produtores e do mercado financeiro - ainda vai demorar, não haverá tempo hábil para que os cotonicultores utilizem recursos oriundos dos CDA/WA.

"Estamos pensando em fazer a operação, mas com soja, pois ainda não temos algodão em estoque", diz Edeon Vaz Ferreira, diretor da Polato Sementes. O único empecilho, segundo ele, é a taxa de juros. Para o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Jorge Maeda, o instrumento vai se tornar atraente a partir do momento em que a taxa de juros (Selic) cair. "Com certeza, vai substituir o EGF e ainda abrir um leque de geração de recursos para o setor", diz Maeda. A diferença é que no EGF, o juro é menor, de 8,75% ao ano, mas o limite é de apenas R$ 600 mil para o algodão.

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