São Paulo aposta no café de excelência

Agronegócio

São Paulo aposta no café de excelência

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O governo paulista vai incentivar o cultivo do café conilon para agregar valor à produção do campo. Hoje, os cafeicultores de São Paulo vivem basicamente do arábica, de aroma e doçura inconfundíveis. A sugestão é que o produtor passe a lucrar com uma variedade onde o custo de produção é bem menor. De acordo com o secretário de Estado de Agricultura e Abastecimento, João Sampaio, o conilon já garante renda, por exemplo, aos cafezais capixabas. No Espírito Santo, 70% do café plantado é o conilon.Apesar de a bebida não ser apreciada pelo consumidor, o conilon é estratégico para a produção dos blends. Misturado ao arábica moído, a variedade é usada na fabricação do café solúvel, que garante anualmente ao Brasil quase US$ 600 milhões em exportações. Mas, para continuar atendendo ao exigente consumidor interno do café, o setor não vai abrir mão do arábica. O objetivo é compensar a redução da área plantada com os investimentos em tecnologia que garantam produção maior.Os empresários já investem R$ 80 milhões por ano em infraestrutura, maquinário e instalações fabris. O café, como se sabe, teve um papel histórico no desenvolvimento econômico do Estado. A partir do século 19, o grão gerou fortunas no campo. Hoje, só 10% da produção brasileira é colhida em roças paulistas. Mas São Paulo ainda concentra a indústria de processamento. Passam pelo porto de Santos, por exemplo, metade de todo o café exportado pelo Brasil.Mas não se pensa só em produtividade.

O café de São Paulo, afirma Sampaio, precisa ser diferenciado para ganhar mercado. O chamado “café gourmet”, que praticamente não existia no começo da década, ganha cada vez mais espaço entre os consumidores. As safras especiais levam em consideração variedade, técnicas de cultivo, colheita, beneficiamento e armazenamento. O café de excelente qualidade já representa 8% do que o setor fatura no Brasil.Para ganhar espaço no filão, diz Sampaio, o Estado vai seguir investindo em pesquisa. “A gente precisa desenvolver sementes resistentes, por exemplo, para que o produtor tenha de gastar cada vez menos com defensivos”, diz. Os pesquisadores podem descobrir qual variedade rende mais em determinada região e desenvolver culturas que se adaptem às condições específicas de solo e clima.Os cafeicultores, em suma, apostam na potencialidade de um mercado que não para de crescer. Nove em cada dez brasileiros com idade a partir dos 15 anos bebem café pelo menos uma vez por dia.

A água é a única bebida mais consumida. Bebe-se mais café que refrigerante, por exemplo. E não se trata de um hábito limitado aos lares. Cresce substancialmente o consumo de café instantâneo, descafeinado cappuccinos, e orgânicos. As panificadoras, cafeterias, bares, lanchonetes e restaurantes já criaram, pelas estimativas do segmento, 6 mil empregos de barista (especialista no preparo do café espresso ou drinks à base de café). O grão, a cada dia, ganha importância social”, afirma Sampaio.Os representantes da indústria do café também apostam no aumento do consumo interno para reverter um irônico paradoxo do setor. De acordo com Nathan Herszkowicz, presidente da Câmara Setorial do Café, o setor nunca exportou tanto. Só em dezembro de 2008, o Brasil mandou para fora nada menos que 3,2 milhões de sacas. Nunca, na história, se exportou tanto. Em compensação, o preço interno não muda há quatro anos. “O café continua muito barato, e gera uma rentabilidade muito pequena ao produtor”, afirma. É mais uma razão, a seu ver, para se buscar abastecer o mercado com um grão diferenciado.Colheita simbólica dá início à safra deste ano no Estado.

O início da safra 2009 de café no Estado foi marcada, neste mês, com a colheita simbólica dos grãos cultivados no cafezal do Instituto Biológico (IB), encravado na cidade de São Paulo. Nada menos que 10 mil metros quadrados resistem, tomados por pés de café, em plena Vila Mariana, dentro da gleba em que o instituto foi instalado na década de 40. A imagem do apanhador usando chapelão, avental, peneiras e balaios era emoldurada pelos prédios de apartamento ao fundo. No começo, a gleba era usada basicamente para pesquisas de controle de pragas. Hoje, o maior cafezal urbano do planeta virou ponto turístico. Dali, a cada safra, sai em média uma tonelada de grãos, que acabam virando o café consumido em instituições beneficentes.O diretor do IB, Antônio Batista Filho, afirma que o cafezal urbano virou patrimônio. O que se colhe nos pés, diz, são enviados para a secagem em estufas do IB na Fazenda Mato Dentro, em Campinas. Depois, o café é beneficiado em Caconde, na fazenda de João Paulo Muniz, e em seguida volta para Campinas. É moído e embalado no Café Canecão. “E todo o processo é feito de graça pelos empresários. Virou cultura, tradição”, diz Batista. A distribuição pelas entidades é feita então pelo fundo Social de Solidariedade do governo.Mas as atrações do IB vão muito além do cafezal urbano. Os estudantes podem se divertir no Museu do Instituto Biológico, onde a ciência é tratada deforma lúdica. Há exposição, jogos, dinâmicas de grupo e distribuição de kits, com temas relacionados à educação ambiental e história da pesquisa.

As visitas monitoradas ao museu podem ser marcadas pelos telefones (11) 5572-9933 ou 5087-1703, e ainda pelo e-mail mibio@biologico.sp.gov.br.



Barista se transforma em exemplo da nova geração ‘ouro negro’

Rapaz entrou para a profissão graças a cursos de qualificação de instituto O evento simbólico do início da colheita do café foi prestigiado por dezenas de produtores rurais, industriários, pesquisadores e secretários de governo. Mas um rapaz magro e grandalhão (Roberto Rocha Vieira, de 18 anos) acabou roubando a cena. O jovem representa a nova geração de quem vive do “ouro negro”. A cultura agrícola, que ainda hoje emprega 180 mil pessoas nas roças e torrefadoras paulistas, representa oportunidade de trabalho para baristas.O garoto, morador da favela do Jaguaré (zona Oeste da Capital), dependia de bicos. O último deles foi como ajudante-geral em um lava-jato. O rapaz foi encontrado por assistentes sociais do Instituto Lina Galvani, entidade beneficente da Galvani, fabricante brasileira de fertilizantes. A empresa, que possui uma unidade produtiva em Paulínia, mantém na Capital um curso semestral para formar garçons, cozinheiros e balconistas. A ação social já garantiu emprego para 200 moradores carentes do bairro.Vieira é um deles. Durante cinco meses, ele aprendeu a fazer drinks de café e arrumou emprego em uma cafeteria elegante da Capital. Animadão, segue firme na escola (está no 2º ano do Ensino Médio) e se diz feliz por ter mudado de vida. “O curso, de graça, dá chance para muitos jovens que moram lá, naquela pobreza total, sem muita expectativa de progresso”, fala. O barista, anunciado pela mestra da cerimônia do IB, virou símbolo da função social do café.

As informações partem do Correio Popular, noticiou a ABIC.


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