Seca castiga e perdas superam R$ 7 bi no Rio Grande do Norte
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Agronegócio

Seca castiga e perdas superam R$ 7 bi no Rio Grande do Norte

As culturas mais atingidas são o milho e feijão
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Falta de chuvas deixou 139 municípios em estado de emergência, segundo governo do estado
 
A região nordeste do Brasil está sofrendo com seca, que já é considerada uma das piores das últimas décadas. Muitos criadores estão perdendo os animais em função da seca, além de contabilizarem prejuízos com a quebra na produção de grãos. Somente no Rio Grande do Norte o prejuízo registrado desde fevereiro soma mais de R$ 7 bilhões, aponta o secretário adjunto de Agricultura, José Simplício Holanda. Dos 167 municípios da unidade federada pelo menos 139 decretaram estado de emergência.

Quem sobrevive da agricultura familiar vê, aos poucos, o volume de perdas crescer. Segundo estimativa da Secretaria de Agricultura do estado, 70 mil pessoas sobrevivem da pequena produção. Há 30 anos produzindo mel e castanha de cajú em uma propriedade de 50 hectares na Serra do Mel, o apicultor José Hélio Moraes da Costa diz que já perdeu pelo menos 70% da 'safra' da castanha.

Já com o mel, aproximadamente 90% da produção não vão chegar ao mercado consumidor. "Desde fevereiro choveu 60 milímetros, mas para que as abelhas possam fazer a soração é necessário chover 400 milímetros. Eu tive uma perda de 90% da minha produção. Em um ano eu produzo uma média de 8 mil quilos de mel e neste ano só conseguimos 300 kg", lamentou.

As lavouras também sofrem as consequências da forte estiagem, a produção de grãos teve uma quebra de quase 90% chegando a 10,9 mil toneladas na safra atual, enquanto que no ciclo 10/11 somou 108 mil toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

"A quebra nas culturas temporárias é bem mais intensa. O milho e feijão, por exemplo, já estão acima de 90%. Para culturas permanentes como o cajueiro, a exemplo do ocorrido no ano de 1993, a queda na safra oscila entre 70% e 80%. As culturas mais atingidas são o milho, em torno de 95%, e feijão, 90%", informou ao Agrodebate o secretário adjunto da Secretaria de Agricultura e Pesca do Rio Grande do Norte, José Simplício Holanda.

A área plantada no Rio Grande do Norte também sofreu uma acentuada diminuição. Na safra 10/11 o estado possuía 157,1 mil hectares, já no período 11/12 recuou para 19,8 mil hectares, quebra de 87,4%, conforme a Conab.

"Em relação ao ano de 2011, que foi um ano bom de chuvas, houve uma redução de 87% na área plantada por não haver umidade suficiente no solo para germinação e emergência das plantas", explica José Simplício Holanda.

Medidas

Desde que a estiagem se intensificou no estado uma série de medidas foram anunciadas para conter os prejuízos dos produtores. Entre elas estão o pagamento antecipado da Garantia Safra desde o dia 18 de julho, que irá beneficar mais de 37 mil produtores de 117 municípios com créditos de R$ 680 por beneficiário.

Outra medida é o pagamento da bolsa estiagem para 38 mil famílias que depedem da agricultura e pecuária para a subsistência. Além disso, o governo estadual está vendendo ração à base de milho para aproximadamente 7 mil pequenos produtores com o preço subsídiado (R$ 18,10/saca de 60 kg).

"A prioridade numero um é o abastecimento de água, construção de adutoras, instalação e licenciamento de poços, cisternas e até uso de carros pipa. Construção de barragens subterrâneas", afirma José Simplício Holanda.

Enquanto isso, produtores e moradores do estado apenas esperam a ajuda chegar, de fato, à vida do agricultor. "Estamos esperando a liberação desses recursos para conter nossos prejuízos", disse o produtor José Hélio Moraes da Costa.

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