Setor de bioinsumos, além de ampla movimentação econômica, tem perspectiva de crescer no Brasil acima dos índices no contexto externo
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INSUMOS

Setor de bioinsumos, além de ampla movimentação econômica, tem perspectiva de crescer no Brasil acima dos índices no contexto externo

Eles se inserem dentro da meta da ONU de garantir um futuro melhor
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Os insumos biológicos estão sendo cada vez mais valorizados no Brasil e no mundo. A maior importância por parte de todos, do agricultor ao empreendedor, e do investidor ao consumidor e aos gestores públicos, é motivada pela demanda por tecnologias de defesa efetivas e sustentáveis e pela exigência crescente por alimentos isentos de resíduos, produzidos por insumos renováveis. Além dessa explicação, a diretora executiva de biológicos da CropLife Brasil, Amália Borsari, acrescenta que uso de bioinsumos na agricultura atende aos objetivos de desenvolvimento sustentável (ODS) definidos pela Organização das Nações Unidas (ONU) para garantir um futuro melhor para todos, até 2030.

"Na agricultura moderna, os defensivos, independente da origem do seu princípio ativo, sintético ou biológico, devem ser usados em conjunto para que se alcance o controle adequado de doenças e pragas e se diminua a velocidade de perda de tecnologias", salienta Amália. A CropLife Brasil é uma associação que reúne especialistas, instituições e empresas que atuam na pesquisa e no desenvolvimento das seguintes áreas: germoplasma (mudas e sementes), biotecnologia, defensivos químicos e produtos biológicos.

Amália ressalta que tanto o bioinsumo quanto o defensivo sintético devem ser apenas um dos componentes dentros das diversas estratégias que compõem o Manejo Integrado de Pragas (MIP). "Não se pode abrir mão de nenhuma tecnologia para enfrentar os desafios da agricultura tropical", aponta. Ainda lembra que o controle químico foi historicamente mais difundido entre os produtores, enquanto o uso de bioinsumos era direcionado para a agricultura orgânica, em pequena escala. Porém, a partir de 2013, isto começou a mudar, quando os bioinsumos foram responsáveis por salvar a lavoura de diversas culturas, como milho, soja, algodão, arroz, batata, entre ouras, que foram atacadas pela praga Helicoverpa armigera.

Na última década, as indústrias de bioinsumos investiram forte em pesquisa e desenvolvimento de novos ativos, técnicas de produção e novas formulações. "Hoje, o crescimento deste setor supera 30% ao ano e a participação no mercado para algumas pragas já equivale aos defensivos químicos, como no caso dos nematicidas", relata a diretora executiva. A tendência, conforme ela, é de expansão do mercado com o advento de novas tecnologias biológicas para o controle de pragas e doenças. Esse avanço permitiu que o produto não tenha mais problemas como tempo de prateleira e sem precisar ser refrigerado. Além disso, técnicas de produção em larga escala estão aprimoradas para qualidade e segurança do produto final, o que trouxe maior confiabilidade ao agricultor.


EM DOBRO A quantidade de produtos sustentáveis registrados mais do que dobrou em 2020. Um total de 95 produtos de baixo impacto foi registrado no País, contra 43 no ano anterior, de acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Neste número estão inseridos produtos à base de ativos microbiológicos como o Bacillus subtillis e o Bacillus thuringiensis, além de alguns registros de biopesticidas inéditos como o de um produto à base de extrato de alho.

Os registros saltaram de dois em 2000 para 95 em 2020, totalizando 411 em 20 anos. Esta classe de produtos se enquadra nos parâmetros do Plano Nacional de Bioinsumos que o Mapa lançou em 2020 para estimular a produção biológica. Neste mesmo ano, foram registrados 399 defensivos químicos para proteção de cultivos, ante 433 no ano anterior, conforme o Mapa.

Salto pode ser de 25% ao ano

"O setor de bioinsumos já movimenta mais de R$ 1 bilhão no Brasil e a expectativa é de crescimento superior a 25% ao ano, acima da média internacional que é cerca de 15% ao ano", compara Amália Borsari, da CropLife Brasil. Em 2020, o valor de defensivos agrícolas aplicados somou R$ 59,1 bilhões, com alta de 10% em relação ao total do ano anterior, de acordo com os dados do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg). Em dólar, a receita foi de US$ 12,1 bilhões, com 10,4% de redução. Foi a primeria vez que que o setor teve queda de faturamento em cinco anos analisados.

Segundo a diretora executiva, a maior taxa de adoção dos produtos biológicos ocorre nas hortaliças e frutas de menor área e em cultivo protegido. São utilizados para controlar pragas e doenças durante o cultivo e no pós colheita. Dentre as culturas de maior escala, cresce o uso em cana-de-açúcar, soja, algodão, café e milho. "Essas culturas já detém mais de 80% deste mercado no Brasil", aponta. Atualmente, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), vinculada ao Mapa, conta com um extenso trabalho de pesquisa dedicado ao controle biológico. São 632 pesquisadores envolvidos em 73 projetos relacionados ao tema e distribuídos em 40 unidades.

Apesar de serem de origem natural, os bioinsumos de defesa vegetal são produtos regulamentados dentro da legislação de agrotóxicos (Brasil) ou de pesticidas (EUA, UE). A produção e comercialização depende da avaliação de segurança ao ser humano, meio ambiente e da eficiência agronômica. "Atualmente muitos agricultores não usam biológicos por não acreditarem na eficiência que muitas vezes foi comprometida pelo uso incorreto e pela falta de qualidade e tecnologia empregada no passado", esclarece Amália. No entanto, ela afirma que o setor teve um salto tecnológico num curto prazo de tempo, com técnicas avançadas de formulação, estabilidade do ativo, tempo de prateleira e eficácia do ativo.


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