Setor produtivo aprova vitrine tecnológica da cotonicultura mato-grossense

Agronegócio

Setor produtivo aprova vitrine tecnológica da cotonicultura mato-grossense

“O adensado vem mostrar que tem condições de ter rentabilidade, mesmo com o mercado externo, neste momento, não tão atrativo”
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“Reunimos as últimas pesquisas e projetos de ações sociais que estamos desenvolvendo, para mostrar que fazemos mais do que produzir algodão”. É com esta frase que o presidente da Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa), Gilson Ferrúcio Pinesso, explicou a realização da Vitrine Tecnológica organizada pelo Instituto Mato-grossense do Algodão (IMAmt), no último fim-de-semana, no Campo Experimental da entidade, em Primavera do Leste, distante Km 239 de Cuiabá, na região sudoeste de Mato Grosso.

O evento, prestigiado por produtores, engenheiros agrônomos, pesquisadores, técnicos agrícolas e outros convidados, divulgou em stands os estudos do IMAmt e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) na busca de novas tecnologias para a cultura do algodão. Boa parte do volume de pesquisas sobre melhoramento do algodão está voltada para o sistema adensado, considerado uma das saídas da cotonicultura mato-grossense para combater os altos custos de produção e garantir mais rentabilidade ao produtor.

“O adensado vem mostrar que tem condições de ter rentabilidade, mesmo com o mercado externo, neste momento, não tão atrativo”, avalia o produtor e conselheiro consultivo da Ampa, João Luis Ribas Pessa. Segundo ele, os colegas estão com muita expectativa e satisfeitos com os primeiros resultados. “O entusiasmo é grande, até de quem ainda não plantou”, frisa João Pessa. Entre julho e agosto Mato Grosso colherá mais de cinco mil hectares de algodão adensado.

“Sem dúvidas, a exemplo do que acontece com o algodão convencional, o adensado também ganhará o mercado”, aposta o diretor executivo do IMAmt, Álvaro Salles. A visão dele tem o apoio de Carlos Webler, da Fazenda Encantado, de Sapezal, na região norte do Estado, a Km 473 da Capital. “Vamos investir no adensado a partir da próxima safra, porque os resultados já comprovam a viabilidade desse sistema”, disse o produtor, lembrando que o sucesso é consequência dos estudos feitos pelo IMAmt. “Essa vitrine (tecnológica) é a prova de que estamos no caminho certo”, sublinha Webler.

O produtor Eloi Brunetta, de Primavera do Leste, também gostou da vitrine. “Temos que procurar aproveitar esses momentos o máximo possível, porque precisamos sempre nos inteirar sobre as tecnologias que são colocadas a nossa disposição. Elas nos ajudam a diminuir os custos de produção e ter maior rentabilidade”, analisa Brunetta. Para o secretário de Agronegócios e Meio Ambiente de Primavera do Leste, Lucivaldo Clementino de Lima, o trabalho desenvolvido pelo IMAmt tem garantido desenvolvimento ao município e região agrícola, porque a principal preocupação é com a constante melhora da condição de produção. “Todos os empreendedores precisam produzir mais no mesmo espaço gastando menos”, assinala Lucivaldo Lima.

Palestras

Durante a Vitrine Tecnológica foram realizadas palestras sobre “Evolução do melhoramento genético”, “Mudanças climáticas: Perspectivas para o Cerrado” e a “Crise Mundial - riscos e oportunidades para o Centro-Oeste”.

O chefe geral do Centro de Informática da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), engenheiro agrícola Eduardo Assad, no tema sobre mudanças climáticas, falou sobre aquecimento global e como o Brasil, destacando a Região Centro-Oeste, está vulnerável. “Precisamos saber quais são as ações de adaptação e de mitigação que podem ser feitas para evitar o pior”, avisa o doutor em Agrometereologia da Universidade de Campinas (Unicamp) e da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Eduardo Assad recomenda aos empreendedores rurais a usarem o solo adequadamente para que a agricultura, ao invés de ser acusada de uma grande emissora de gases efeito estufa, seja reconhecida por ser sequestradora de gases efeito estufa. Ele recomenda um bom plantio direto, porque é altamente benéfico para esta situação que está enxergando. “Esse processo é eficiente para retirar CO2 da atmosfera”.

Na segunda palestra, o professor doutor Geraldo Barros, pesquisador da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da Universidade de São Paulo (USP), e coordenador do Centro de Estudos em Economia Aplicada (Cepea) discorreu sobre a crise mundial.

Na opinião do engenheiro agrônomo e PHD em Economia, o Centro-Oeste tem condições de sair bem da crise e aproveitar as oportunidades que a conjuntura está trazendo. “O panorama para o agronegócio é extremamente favorável, porque o setor vai voltar em breve, até o fim do ano, ao quadro de antes da crise, que foi iniciada em setembro do ano passado”, assegura o professor.

Geraldo Barros alerta que as dificuldades serão administrar os problemas que tinham antes. “É preciso investir em produtividade, em variedades que suportam falta de água, calor. Coisas mais produtivas para reduzir custos. Tenho certeza que é nesse ponto também que o Brasil vai sair na frente e ocupar cada vez mais espaços no mundo”, espera o doutor da USP, acrescentando que a cotonicultura tem um futuro muito brilhante e as previsões são de crescimento excepcional nas exportações.


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