Sicredi prevê menor ritmo de investimento no campo
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Agronegócio

Sicredi prevê menor ritmo de investimento no campo

Mercado de máquinas apresentou indicadores de vendas mais fracas no primeiro semestre, diz Seefeld
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O Sicredi projeta menor demanda por recursos para investimentos em máquinas e equipamentos neste ano no setor primário. A meta de repasse da cooperativa de crédito na operação para Rio Grande do Sul e Santa Catarina no Plano Safra 2014/2015 foi estimada ontem em R$ 5 bilhões, sendo R$ 4 bilhões em custeio. O valor é 25,62% superior ao aportado no ciclo anterior, segundo a instituição. Executivos da instituição avaliaram, em Porto Alegre, que o ritmo de aportes, por meio de contratos com linhas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (Bndes) e programas para Agricultura Familiar, foi forte entre 2012 e 2013 e que este ano será menos intenso. Da cifra global, o Sicredi espera liberar R$ 1,8 bilhão para agricultores familiares.  

A operação nos dois estados do Sul responde por mais da metade da meta de oferta de crédito no sistema, presente em 11 estados, e que espera alcançar R$ 9,5 bilhões na safra 2014/2015 (12% acima do volume do período anterior). Nos financiamentos do plantio da safra de verão e atividades como pecuária e leite, a previsão é de 20% de aumento frente ao estoque da safra 2013/2014, mantendo a taxa média de 20% dos últimos três anos, apontou o diretor executivo da cooperativa de crédito, Gerson Seefeld. A expectativa é de firmar 130 mil contratos, 89 mil no ramo familiar. A Organização das Nações Unidas (ONU) definiu 2014 como o ano da agricultura familiar.

O dirigente definiu como "de intensidade menor" a busca de recursos para renovar ativos ou adquirir novas máquinas. "O parque de máquinas recebeu investimentos maciços nos últimos anos", justificou o diretor executivo. O dirigente citou que o mercado de máquinas apresentou indicadores de vendas mais fracas no primeiro semestre. A direção evitou relacionar projeção de preços menores para grãos, principalmente commodities, com menor impulso ao crédito para investimento. Mesmo assim, Seefeld acredita que produtores, individualmente ou associados, poderiam aproveitar mais a oferta do programa de crédito específico para armazenagem, lançado em 2013. O déficit de capacidade instalada é alto no País, o que impede espaço para os produtores escolherem melhor o período de comercialização. Na área de irrigação, também haveria maior potencial de contratação.

O Estado lançou em 2012, após nova estiagem com perda de mais de 40% da safra de grãos, o programa RS Mais Água. O gerente de desenvolvimento e organização do Sicredi, Gerson Kunkel, afirmou que as dificuldades com licenciamentos ambientais verificadas no começo do ano e que paralisaram a liberação de contratos e entrega de equipamentos teriam sido superadas. O diretor executivo citou que a instituição atua ainda em orientar e conscientizar clientes sobre qualificação na gestão e uso de tecnologias adquiridas. "Os produtores adotam maior racionalização na tomada da decisão", observou Seefeld, indicando ainda que a taxa de inadimplência de 0,2% nos contratos de crédito agrícola comprovam a preocupação em manter a sustentabilidade da propriedade.

Da carteira de crédito de R$ 12 bilhões no Estado em 30 de junho, o Sicredi registra 47% para o setor primário. Dos quase 1,5 milhão de clientes nos dois estados, 1,4 milhão está no Rio Grande do Sul. A pouco mais de um mês para a próxima Expointer, em Esteio, Seefeld disse que a instituição ainda não definiu volume de recursos para a feira, mas aposta que as negociações possam crescer entre 10% e 15%, sem considerar a inflação. "Esperamos algo parecido com o que foi a edição de 2013, quando tivemos pedidos de R$ 488 milhões", lembrou o executivo. Parte dos pedidos acaba não se concretizando em negócios.

Foto: Fredy Vieira 

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