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Simbiose leva ao Congresso Andav primeira tecnologia biológica capaz de substituir fungicidas químicos

Solução foi desenvolvida em conjunto com a Embrapa


Foto: Divulgação

Solução foi desenvolvida em conjunto com a Embrapa em pesquisas que levaram nove anos

Com registro aprovado em todos os órgãos competentes, tecnologia já está disponível para o produtor rural na safra 2025/2026

Indústria nacional de insumos microbiológicos para a agricultura, a Simbiose lança oficialmente, na próxima semana, o primeiro fungicida biológico no tratamento de sementes (TS) e via sulco de semeadura capaz de substituir a aplicação de fungicidas químicos para o controle de doenças da raiz de plantas de culturas como soja, milho e algodão. A novidade, desenvolvida em parceria com a Embrapa em nove anos de pesquisas, será revelada durante a 14ª edição do Congresso Andav, que acontece entre os dias 5 a 7 de agosto, em São Paulo.

Diferentemente dos fungicidas químicos – que dependem do registro junto ao Ministério da Agricultura, Abastecimento e Pecuária (Mapa) para a aplicação em cada tipo de cultura – a solução desenvolvida por Simbiose e Embrapa pode ser usada em todas as culturas afetadas pelas doenças fúngicas mencionadas em bula. Chamada de EficazControl, a tecnologia já tem o registro do Mapa e o aval do Ibama e da Anvisa para ser comercializada no Brasil na safra 25/26.

Segundo o pesquisador Rodrigo Veras da Embrapa Milho e Sorgo, o EficazControl é aplicado uma única vez no tratamento de sementes para o plantio, protegendo as plântulas desde os estágios iniciais de desenvolvimento, com menor custo de aplicação, além de baixo impacto ambiental. Esses são fatores importantes, diz Veras, porque a infestação por fungos pode passar despercebida pelos produtores e a aplicação de fungicida químico pode ser insuficiente para prevenir os danos, causando tombamento das plantas.

“Por isso o EficazControl é inovador, pois uma vez aplicado diretamente nas sementes ele protege as plantas contra fungos durante grande parte do seu ciclo, o que é um diferencial em relação às principais medidas que existiam até agora para o controle de fungos de solo, como a resistência genética, o controle químico e a rotação de culturas”, diz Veras. “Hoje, na cultura do milho, os fungos de solo, causadores da podridão de raiz e do colmo são os grupos de patógenos mais difíceis de trabalhar e também os que têm alto potencial de gerar perdas e danos às lavouras”, complementa.

“Finalmente, o produtor rural tem à disposição uma tecnologia eficaz, segura e sustentável que dispensa a aplicação dos fungicidas químicos”, diz Marcelo de Godoy Oliveira, fundador e CEO da Cogny, ecossistema de biotecnologias que integra a Simbiose entre outras empresas. “Não se trata de um biológico complementar ao tratamento das sementes, mas de uma tecnologia completa para garantir a proteção das plantas, além de uso em larga escala”, complementa Artur Soares, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da Cogny.

Em ensaios realizados pela Embrapa, a tecnologia incrementou 3,71 sacas em relação ao tratamento com fungicida químico, evidenciando o potencial desta solução em um mercado até então ocupado exclusivamente por esse tipo de substância.

Mercado bilionário

Jair A.Swarowsky, VP comercial e de marketing (CCO) da Cogny, acredita que o lançamento deve acirrar a disputa no mercado brasileiro de fungicidas, que movimenta volume total de R$ 26 bilhões (US$ 4,9 bilhões) por ano.

Somente o mercado de fungicidas voltado para tratamento de semente (TS) industrial e plantio representa R$ 800 milhões (US$ 153 milhões) por ano, considerando as vendas registradas na última safra de soja, milho verão, milho safrinha e algodão. As lavouras de soja, que abrangem 40 milhões de hectares tratados com fungicidas para TS no Brasil, representam metade do volume comercializado, ou seja, R$ 400 milhões por ano.

“A preocupação dos produtores ante a ameaça das doenças fúngicas, a busca por aumento de produtividade e a necessidade de redução de custos têm potencial para levar a Simbiose a conquistar uma fatia importante do mercado nos próximos anos”, acredita o CCO. 

Outras novidades

A Bioma, outra empresa referência em insumos microbiológicos do ecossistema Cogny, será expositora na Andav com o Bioma Hydratus, um Mitigador de Estresse Hídrico (MEH), tecnologia inédita também desenvolvida em conjunto com a Embrapa. O Hydratus foi criado para estimular a formação de biofilme, que atua como uma barreira física e química, na ação de proteção contra o estresse da planta. Nos testes de eficiência agronômica, o MEH alcançou produtividade média de 56,3 sacas por hectare de soja, correspondendo a 7,6 sacas a mais em relação aos principais concorrentes. No segmento do milho, foram registradas 173,6 sacas por hectare – equivalente a 34 sacas a mais na comparação com a concorrência.

A empresa ainda levará ao evento o Bioma Mais Energy, inoculante desenvolvido a partir de trabalho conjunto com a Universidade Federal do Paraná (UFPR), resultado de 35 anos de estudos realizados por dezenas de pesquisadores.

O grupo de pesquisa da instituição observou que a cepa da bactéria Azospirillum brasilense (HM053) utilizada na solução gerou ganhos de produtividade de até 28%, enquanto uma cepa tradicional (Ab-V5) alcançou apenas 7%. Os resultados observados em laboratório e em campo fizeram com que os pesquisadores apontassem o inoculante da Bioma como a solução mais inovadora e relevante na última década para a cultura do milho.

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