Sindag busca mudanças nas regras do BNDES
Ideia é que funanciamentos voltem a ser pagos por safra
O Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag), entregou na última semana semana ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) um documento pedindo a volta dos financiamentos de aeronaves com pagamento por safra. O tema esteve na pauta de uma reunião no início do mês, entre o presidente do Sindag, Nelson Antônio Paim, e o chefe do Departamento de Máquinas e Equipamentos doBNDES, Paulo Sodré. O encontro foi na sede do BNDES no Rio de Janeiro e teve a presença também do secretário do sindicato aeroagrícola, Francisco Dias da Silva e do suplente da diretoria, Júlio Augusto Kämpf.
Conforme Paim, a mudança de regras no Finame, pelas quais os prestadores de serviço têm acesso apenas financiamentos com prestações mensais, está dificultando a renovação e ampliação da frota pelas empresas de aviação agrícola. “O operador aeroagrícola recebe por safra e por isso não tem como pagar diferente. Ele segue o calendário do produtor a quem presta o serviço. Precisamos que o banco entenda isso e volte às regras de antes”, desabafa o presidente.
OTIMISMO
Pelo acerto da reunião no Rio, o documento elaborado pelo Sindag deverá ser levado à diretoria do BNDES, que deve bater o martelo sobre a questão. Paim aposta na boa vontade do banco “que nesse primeiro encontro parece ter se sensibilizado sobre o problema”. Conforme o Sindag, o Brasil tem atualmente a segunda maior frota de aviões agrícolas do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. Segundo dados do Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB), da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a frota aeroagrícola nacional é de mais de 1,7 mil aviões.
RBAC 137, IS E MGSO
Além do encontro no BNDES, os representantes do Sindag também tiveram uma reunião na sede da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) na capital carioca. Segundo Paim, ali o tema abrangeu principalmente melhorias no Regulamento Brasileiro da Aviação Civil (RBAC) 137. O documento, que entrou em vigor em maio deste ano, substitui o velho Regulamento Brasileiro de Homologação Aeronáutica (RBHA) 137, que vigorava desde 1999. Porém, deixou em aberto pontos a serem preenchidos ou corrigidos “no andar da carroça”.
A reunião acom a ANAC abordou também as regras para elaboração do do Manual de Gerenciamento de Segurança Operacional (MGSO), por parte das empresas de aviação. Outro tema na pauta foi ainda a Instrução Suplementar 137.201-001, da ANAC, que autoriza o uso de etanol como combustível para aeronave agrícola na categoria restrita, equipada com motor convencional. Todas regras e procedimentos que o Sindag busca aperfeiçoar e simplificar junto ao órgão federal.
NÚMEROS
Paim explica que a aviação agrícola emprega atualmente 1,4 mil pilotos, 450 agrônomos, mais de 1,3 mil técnicos agrícolas (especializados em operações aéreas) e em torno de 4 mil auxiliares. “A aviação fatura anualmente em torno de R$ 936 milhões e gera R$ 234 milhões em impostos. São cerca de 495 mil horas voadas por ano”, assinala. “É um setor que utiliza tecnologia de ponta, o que faz dele a forma de aplicação mais segura para o meio ambiente. Mas para isso precisa de muito investimento por parte do empresário, que precisa ter capacidade de renovação.”
Além de pulverizações, os aviões são usados no trato de florestas, aplicação de fertilizantes e até em combate a incêndios em áreas de preservação. Segundo levantamento do site Agronautas (especializado em aviação agrícola) nos registros da ANAC, atualmente são 228 empresas operando no setor, 79 delas no Rio Grande do Sul (34,6% do total), 35 em São Paulo (15,4%), 28 em Mato Grosso (12,3%), 25 no Paraná (11,0%) e 17 em Goiás (7,5%).