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SLC Agrícola investe focando a recuperação do algodão

Com uma produção estimada de 1,55 milhão de toneladas de algodão para 2008, o Brasil pode passar a ocupar o lugar de quinto maior produtor mundial


Com uma produção estimada de 1,55 milhão de toneladas de algodão para 2008, segundo o International Cotton Advisory Committee (ICAC), entidade internacional do setor, o Brasil pode passar a ocupar o lugar de quinto maior produtor mundial, posto hoje ocupado pelo Uzbequistão. A previsão é de Laurence Beltrão Gomes, diretor de Relações com Investidores da gaúcha SLC Agrícola, onde a cultura corresponde a 50% da receita da companhia.

O executivo atribui a recuperação do setor à diminuição da área mundial de plantio, que se viu, em anos anteriores, às voltas com baixos preços provocados pelo aumento dos estoques mundiais de algodão, principalmente pelo excesso de produção de países como a China.

"Hoje, a realidade é diferente. As áreas mundiais são limitadas e existe uma batalha por elas. Nos Estados Unidos, as plantações de milho vêm crescendo, procurando corresponder a um crescimento de 50% no consumo do grão para a produção de etanol. Tudo isso melhora a competitividade brasileira no algodão."

O cenário está oferecendo à SLC um momento propício para a ampliação da área plantada de algodão, que teve um incremento de 75,7% na área cultivada, decorrente da compra, em julho, de 7,2 mil ha hectares em áreas fronteiriças à Fazenda Pamplona, em Goiás, e de outros 3,3 mil hectares adquiridos junto à Fazenda Paiaguás, no Mato Grosso. A companhia já tinha, em dezembro de 2006, comprado a Fazenda Panorama, na Bahia, com 9,2 mil hectares de área própria e 14,4 mil hectares de área arrendada. No momento está em conversação com cinco outras fazendas para ampliar a área plantada. Atualmente, Mato Grosso é o principal produtor nacional de algodão, com 960,3 mil toneladas previstas para a safra 2006/2007 pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Incluindo o milho e a soja, o crescimento foi de 43% na área plantada da empresa. Com o algodão, essas culturas tiveram na safra 2006/2007 uma produtividade de 1.574 quilogramas por hectare (kg/ha), 5.746 kg/ha e 3.260 kg/ha respectivamente, explicados por Gomes como um resultado da qualidade do clima e a escolha de sementes apropriadas. "Mais de 900 hectares de toda a nossa área são direcionados a pesquisas que incluem a população de sementes, dosagem de fertilizantes, entre outros", conta. Isso acaba resultando em uma qualidade apreciada mesmo por países que fazem concorrência à SLC na produção de algodão, como Paquistão, Indonésia e outros destinos no Sudeste Asiático, para onde vai a maior parte das exportações da empresa.

Novo Mercado

O momento se reflete na Bovespa, onde a SLC abriu seu capital em 15 de junho. Desde essa data, as ações da empresa já subiram 22% e são consideradas por especialistas uma das dez mais rentáveis do mercado, sendo a única do setor primário entre elas. No mesmo período, a própria bolsa subiu 13.5%, de acordo com Gomes. "O cenário de preços das commodities agrícolas é promissor e sofreu uma expressiva mudança estrutural, onde o Brasil cumpre um papel importante", analisa.

A empresa, constituída pela família Logemann em 1977, é parte do Grupo SLC, que remonta a 1945, quando foi fundado por três famílias de imigrantes alemães. O grupo foi o responsável pela criação da primeira indústria brasileira de colheitadeiras, vendida em 1999 para a John Deere, com quem mantinha uma joint venture desde 1979. Desde então, o grupo é formado pela SLC Agrícola, a SLC Alimentos e a Ferramentas Gerais, que atua na distribuição de suprimentos industriais.

A SLC Agrícola possui, atualmente, oito fazendas em cinco estados brasileiros, que somam 117,2 mil hectares plantados no ano-safra 2006/07, dos quais 68,5 mil de soja, 32,3 mil de algodão, 13,9 mil de milho e 0,7 mil de café, as principais culturas. A companhia fechou seu primeiro semestre com R$ 115 milhões de receita líquida, valor que representa um crescimento de 28,5% em relação ao mesmo período de 2006. O aumento de 43% na área plantada deverá ter um impacto ainda maior sobre a consolidação do desempenho da empresa no próximo ano, de acordo com a avaliação de seu diretor de RI.

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