Segundo análise feita pela Grainsights, a inteligência de mercado da Grão Direto, os preços da soja recuaram nos portos de Santos (SP) e Rio Grande (RS), enquanto o mercado físico no interior de Goiás apresentou estabilidade. A maior queda foi registrada em Rio Grande, onde a saca foi cotada a R$ 161,91, redução de R$ 1,26 em relação à sessão anterior. Em Santos, o preço ficou em R$ 164,16 por saca, com baixa de R$ 0,19. Apesar das variações diárias, as cotações permaneceram praticamente estáveis na comparação semanal.
O movimento ocorreu em um cenário de desvalorização recente dos contratos de soja na Bolsa de Chicago e câmbio elevado. O dólar contribuiu para compensar parte da pressão externa na formação dos preços em reais, enquanto os prêmios de exportação permaneceram sem direção definida. Após uma semana de perdas, Chicago apresentou sinais de leve recuperação nesta quinta-feira (5), mantendo a atenção do mercado sobre o comportamento das cotações internacionais.
No interior de Goiás, o mercado apresentou menor oscilação. Em Três Ranchos, a soja foi cotada a R$ 144,67 por saca para novembro de 2026, praticamente estável em relação à segunda-feira, mas R$ 2,40 acima do fechamento da semana anterior. A Grainsights aponta que a região permaneceu em compasso de espera, com negociações limitadas e sem avanço significativo dos preços diante das oscilações do mercado externo. O município registrou basis de -R$ 0,67 por saca, refletindo as condições de formação dos preços na região.
A movimentação comercial também foi restrita em outras regiões produtoras. Rondônia apresentou a maior atividade relativa entre os estados monitorados, embora os volumes negociados tenham permanecido baixos. No interior de São Paulo, as operações foram pontuais, enquanto o sul de Minas Gerais registrou interesse seletivo. No Rio Grande do Sul, os participantes mantiveram postura cautelosa. Já Mato Grosso operou abaixo do esperado, e Goiás apresentou atividade praticamente paralisada.
O ritmo de comercialização da soja nesta semana também ficou abaixo do registrado na semana anterior, considerada pela Grainsights a mais ativa de outubro e da série recente acompanhada. Mesmo com o câmbio em patamar elevado, as negociações no interior do país não recuperaram o volume observado no encerramento do mês passado, indicando uma atividade comercial ainda restrita nas principais regiões produtoras.
Além do comportamento dos preços no mercado físico, as perspectivas para a próxima safra seguem no radar. As projeções para a produção brasileira foram revisadas para cima, enquanto o plantio avança acima do ritmo histórico. Na avaliação da Grainsights, a aproximação de uma oferta maior pode ampliar a pressão sobre os preços futuros. O levantamento também destaca as exportações norte-americanas ainda robustas como um dos elementos acompanhados pelo mercado na avaliação dos contratos negociados em Chicago.
Para esta quinta-feira (5), o comportamento da Bolsa de Chicago e do dólar permanece entre os principais fatores de atenção. Enquanto o câmbio elevado ajuda a compensar parte das perdas externas, o avanço do plantio e a perspectiva de maior disponibilidade de soja nos próximos meses mantêm o mercado atento à formação dos preços. A combinação desses fatores ocorre em um momento de menor liquidez no mercado físico e de cautela nas negociações, conforme o monitoramento da Grainsights.