Soja: colheita recorde pressiona preços no Brasil
Soja brasileira sente pressão da colheita e perde força no mercado físico
Foto: United Soybean Board
A colheita da soja avança em ritmo intenso no Brasil e já impacta diretamente os preços recebidos pelo produtor. De acordo com análise da Grão Direto, a grande oferta no mercado interno, somada à postura estratégica dos compradores nos portos, vem comprimindo as margens mesmo em um cenário de alta produtividade.
Na Bolsa de Chicago (CBOT), a soja apresentou desempenho positivo. O contrato para março de 2026 encerrou a semana cotado a US$ 10,67 por bushel, com alta de 1,04%, impulsionado por vendas de exportação dos Estados Unidos que superaram 2 milhões de toneladas. Ainda assim, os ganhos internacionais não foram suficientes para evitar o recuo das cotações no Brasil.
No campo, o destaque fica por conta do Mato Grosso, onde a colheita atingiu 13,88% da área plantada, segundo o Imea. Esse avanço, muito acima da média histórica, gerou um aumento significativo na demanda por transporte e elevou os custos logísticos em rotas estratégicas como Sorriso–Miritituba. A consequência direta foi a queda nos preços pagos ao produtor no interior do país.
Apesar da boa produtividade registrada até agora, a pressão da "parede de oferta" começou a se refletir nas negociações. As tradings e indústrias adotam uma postura defensiva, aguardando o pico da entrada dos grãos em fevereiro, o que manteve os prêmios nos portos em níveis baixos e limitou qualquer possibilidade de recuperação imediata dos preços.
As consultorias elevaram a estimativa da safra brasileira para 179,5 milhões de toneladas, um novo recorde nacional. Esse volume, somado à expectativa de esmagamento interno de 61 milhões de toneladas — conforme projeção da Abiove — reforça a percepção de conforto na ponta compradora e contribui para a retração dos preços no mercado físico.
Além da colheita, o clima volta a ser fator determinante para o comportamento do mercado nos próximos dias. O Inmet prevê a atuação de uma Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), com chuvas volumosas sobre o Centro-Oeste e Matopiba. Se confirmadas, essas precipitações poderão interromper temporariamente a colheita no Mato Grosso e em Goiás, oferecendo suporte pontual aos prêmios nos portos.
Outro fator que segue no radar do setor é a demanda chinesa. Rumores de mercado indicam que a China pode adquirir até 25 milhões de toneladas de soja dos Estados Unidos ao longo de 2026. No entanto, o foco de curto prazo está na movimentação nos portos brasileiros. Se houver confirmação de nomeações de navios para fevereiro, o escoamento da supersafra poderá ganhar ritmo.
Por outro lado, qualquer lentidão nas compras asiáticas ou eventuais cancelamentos podem pressionar ainda mais as cotações em Chicago, com reflexos diretos no mercado brasileiro. Nesse contexto, o comportamento da demanda internacional segue como elemento-chave para o equilíbrio de preços nas próximas semanas.
A volatilidade cambial também entra na conta. Com a decisão de juros nos Estados Unidos e no Brasil marcada para a quarta-feira (28), qualquer repique no dólar pode gerar oportunidades pontuais de comercialização. A recomendação da Grão Direto é que os produtores aproveitem essas janelas para travar custos e proteger margens.