Soja certificada cresce na região central do país
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Imagem: Marcel Oliveira
OLEAGINOSA

Soja certificada cresce na região central do país

Cultivo já substitui cana-de-açúcar e pastagem, em São Paulo e Minas Gerais
Por: -Eliza Maliszewski

Na região central do Brasil, que envolve os Estados de São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Goiás, estão áreas com culturas consolidadas no Cerrado, porém com espaço para crescimento do plantio de soja, especialmente em Minas Gerais e São Paulo em decorrência da substituição de outras culturas como a cana-de-açúcar e pastagem. Juntos, estes estados possuem 59 fazendas responsáveis com produção estimada em 385 mil toneladas do grão, sendo que o cultivo da soja RTRS cresce ainda mais a cada safra nestas terras.

A área se conecta ao mercado interno, o que agrega valor à soja certificada para este comprador, consumidor de grande percentual da soja certificada nacional através da matriz de alimentos. Outra importante vantagem é a proximidade de portos de exportação como o da cidade de Santos. Alguns produtores ilustram as vantagens desta realidade:

A Fazendas Bartira tem mais de 30 anos de história no mercado agropecuário, e teve seu maior crescimento a partir de 2012. Hoje, presente nos Estados de Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e, também, Mato Grosso, Tocantins e São Paulo, as fazendas fazem parte da BGA (Bartira Gestão Agropecuária), sob nova administração. Juntas, as unidades somam aproximadamente 38 mil hectares de área de produção de soja certificada RTRS. Fabricio de Freitas, Gestor de SSMA e Certificações, conta que o grupo iniciou a certificação em 2013 com duas fazendas. Hoje, oito das 19 propriedades administradas possuem a certificação. “Produzir com responsabilidade, principalmente condicionado às Conformidades Legais sempre foi pauta inegociável no desenvolvimento do grupo. A certificação RTRS foi uma decisão para evidenciar e apresentar ao mercado nosso propósito e compromisso na prospecção do negócio”.
 
Freitas avalia com sensatez os impactos nos negócios do grupo após a certificação. “O retorno econômico é uma consequência natural do processo de certificação. Isso não está implícito nos prêmios recebidos e comercializados, mas sim na gestão da fazenda do ponto de vista organizacional como gestão de custos, investimentos, pessoas, capacitação, pautas ESG (Environmental, Social e Governance). Em resumo, o benefício está na melhoria de gestão de riscos num mercado cada vez mais restritivo a cometer erros, numa agricultura cada vez mais tecnológica e monitorada”, finaliza.
 
Entre as grandes potências produtoras da soja certificada presentes nestes Estados, pequenos produtores se organizam em cooperativas para acompanhar as demandas do mercado. O casal Leni Tomasia de Sousa e Joval de Jesus da Sila, da fazenda Engenho Velho, em Silvania, Goiás, colhe 22 mil sacos do grão certificado RTRS. Os produtores uniram a propriedade da família, de 200 hectares, às terras de vizinhos parceiros para produzir em 315 hectares. A certificação chegou há seis anos na propriedade e teve início com o manejo integrado de pragas e outras adequações propostas pela RTRS. “No início, acreditava que a RTRS era voltada apenas para grandes produtores, pois as exigências eram altas. Mas, durante a certificação fomos muito bem orientados, os processos foram adequados a nossa propriedade, nos adaptamos e conseguimos o selo. Além disso, conseguimos repor o valor investido na certificação com o bônus recebido”, recorda.

A sojicultora, que escoa sua produção através da COCARI, Cooperativa Agropecuária e Industrial, entidade que recebe apoio da Cresol Cooperativa de Crédito, conta que a certificação ajudou a reduzir os custos de produção e que a propriedade passou a ser mais sustentável. “Tentamos não ter dependência de tantos insumos e manter o solo mais equilibrado com produtos biológicos. É uma satisfação ver nossa empresa mais organizada e receber a visita de nossos vizinhos. Nos vemos cumprindo nosso compromisso com a comunidade”, comemora Leni.

Cid Sanches, consultor externo do RTRS no Brasil, avalia o panorama da região com otimismo, com possibilidades que se aplicam a todo país. “Neste cenário de oportunidades, grandes grupos agrícolas, cooperativas e pequenos produtores de soja encontram terreno fértil para a certificação de suas fazendas. Isso mostra que o grão responsável RTRS é acessível a todos, da pequena à grande propriedade”.

A soja certificada garante zero desmatamento e zero conversão na produção,entre outros fatores como preservação ambiental e respeito às leis trabalhistas e condições de trabalho, bem como as relações com a comunidade no entorno. Segundo dados da plataforma, em 2021, o Brasil conta com 12 propriedades certificadas, somando 1.559,058 milhão  de hectares e produção de 3.250,614 milhões de toneladas. Na América do Sul o país com maior número de propriedades certificadas é a Argentina, que soma 17 propriedades.


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