Soja promete aquecer mercado futuro

Agronegócio

Soja promete aquecer mercado futuro

As altas no preço da commodity estão sendo sustentadas por demanda chinesa; consumo para segundo semestre não está confirmado
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A soja vem empurrando o preço das commodities agrícolas no mercado interno e externo devido à volta de investidores chineses e indianos ao mercado futuro da BM&F/Bovespa. ‘‘Atualmente, a soja está muito mais competitiva’’ afirma Lucílio Alves, pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq). No mês passado, a cotação fechou 12% maior do que a registrada no mês período de 2008 e 2% superior a janeiro, período em que foi atingido o maior preço deste ano. A avaliação do especialista é que poderá faltar soja neste segundo semestre – nos mercados interno e externo – porque não há demanda confirmada pelos contratos futuros.

A safra de soja 2008/09 projetada é de 57,1 milhões de toneladas, quantidade 4,8% menor do que a colhida no ano passado (cerca de 60 milhões de toneladas). O Paraná produziu, em 2008, 11,9 milhões de toneladas; neste ano, 9,5 milhões de toneladas. O Mato Grosso é o maior produtor do grão – com 17,9 milhões de toneladas – sendo o Paraná o segundo. A safra paranaense foi reduzida devido à estiagem que atingiu as duas principais regiões produtores: Norte e Oeste. A previsão é de que para safra do ano que vem, o setor recupere os números da safra 2007/08.

Segundo Alves, neste primeiro semestre, as altas no preço da soja estão sendo sustentadas por demanda da China, objetivando renovação dos estoques. O fator é a menor produção da Argentina, também atingida pela estiagem. Neste caso houve um deslocamento de compradores de soja para EUA e Brasil. O pesquisador acrescenta que a valorização da carne bovina, nos últimos meses, aumentou o preço do farelo de soja. ‘‘Estes fatores favoreceram o preço da soja em grão’’, destaca.

Desta forma, a demanda está apertando os estoques americanos e brasileiros, provocando o aumento do preço. Ele aponta que, no segundo semestre, não haverá uma reação tão brusca como foi neste início do ano, em relação aos contratos de curto prazo e preços que estão sendo fechados neste fim de primeiro semestre. ‘‘Mas os preços estão subindo, com maior intensidade até’’, diz. Ele prevê que os preços não subirão internamente no mercado futuro para o segundo semestre, devido a entrada dos EUA e da China com suas produções de soja no mercado mundial.

Milho

O pesquisador informa que o Brasil produzirá 54 milhões de toneladas de milho nesta safra, o que representa uma redução de 10% em relação ao ano anterior. Na última colheita foram produzidos 58,7 milhões de toneladas. ‘‘O milho não tem uma ligação tão forte do mercado externo com o mercado interno e, neste caso, prevalece a demanda doméstica’’, explica Alves. Dados da Conab apontam uma queda total de 15% na primeira e segunda safra deste ano com relação ao potencial inicialmente estimado. Ele ressalva que os dados da geada na safrinha e os impactos de quebra não foram divulgados ainda pelos órgãos oficiais.

‘‘A quebra de milho pode ficar acima dos 15% estimados pela Conab. Tanto que os preços no Norte, Oeste e Sudoeste do Paraná tiveram uma reação maior’’, informa Alves, ao comparar com outras regiões produtoras do País. As regiões do Paraná apontaram uma média de 4% de aumento no preço do milho, enquanto no restante do País, a média foi de 1,5% de alta nos últimos 10 dias. O estoque de passagem do milho entre 2008 e 2009 é alto. ‘‘A safra de milho do ano passado foi muito boa, tanto em termos de área quanto de produtividade’’. Porém, segundo ele, as exportações não reagiram no final do ano passado.

‘‘A demanda por milho nos últimos dias está extremamente parada. Não há registros de grande volume para exportações’’, informa ele. Especialistas econômicos recomendam aos agricultores a negociar a safra e a parcelar as dívidas nos bancos, evitando assim maiores perdas com juros altos, ao invés de esperar um melhor preço da saca do milho. A expectativa para alguns agricultores, segundo Alves, é se a queda da produção de milho na Argentina vai deslocar ou não compradores para o milho brasileiro no segundo semestre.

O pesquisador da Esalq comenta que investidores chineses e americanos poderão investir em contratos de grãos no mercado futuro a partir do segundo semestre. ‘‘Este sempre foi um investimento atrativo’’, afirma. Ele argumenta que os preços estão muito próximos de médias históricas e é isso o que interessa para quem investe na BM&F. Desta forma, a avaliação é que o preço do milho pode sofrer uma majoração também, devido a disparada nos preços de suínos nos últimos dias. ‘‘Isso abre concorrência para aquisição de farelo de soja e milho e alavanca cotações de preços no mundo todo’’, explica.

Já os preços do trigo não reagem desde o início do ano, nem mesmo puxados pela quebra da safra na Argentina. ‘‘O governo do Paraná sinalizou com crédito para tentar animar os triticultores para plantar, entretanto, está praticamente finalizado o plantio também’’, constata.


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