Soja transgênica é um ‘caminho sem volta’
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Agronegócio

Soja transgênica é um ‘caminho sem volta’

Na próxima safra, deverá ocupar quase 65% do espaço nacional da cultura
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Há três anos legalmente sem restrições, a soja geneticamente modificada, chamada transgênica, avança no Brasil. Na próxima safra, deverá ocupar quase 65% do espaço nacional da cultura. Na região de Ribeirão Preto, no plantio prestes a ser iniciado, a soja convencional continua predominando, principalmente devido à rotação com a cana-de-açúcar, mas já vai perdendo área para a transgênica.

“É um caminho sem volta”, define o agrônomo Ricardo Mendonça, gerente comercial da cooperativa Carol, de Orlândia. Ele aponta que, entre outras vantagens, a soja transgênica oferece maior facilidade de manejo, daí sua expansão.

Rotação com a cana

No Nordeste de São Paulo, observa, a soja convencional ainda tem maior penetração principalmente por causa de sua utilização nas áreas de reforma de cana, a cada cinco ou seis anos. Nesse processo, é feito o plantio da soja com a gradagem do solo e o uso do controle mecânico das plantas daninhas, conseqüentemente dispensando a aplicação de herbicidas glifosatos.

Em termos práticos, há herbicidas que eliminam não só a planta daninha, mas também a soja convencional. A partir daí foi comemorado o surgimento da soja transgênica, que, no entanto, enfrentou resistência de organizações internacionais, como também a restrição de entrada no mercado europeu, face à suspeita de efeitos nocivos ao meio ambiente e à saúde humana.

No meio desse processo, o Brasil, segundo maior produtor mundial de soja, não seguiu a evolução que ocorreu em outros países: nos Estados Unidos, maior país produtor, a soja transgênica ocupa 92% do espaço da cultura.

Grãos GM avançaram mais no Sul do país

No Brasil, a soja transgênica começou a ser cultivada mesmo antes de sua liberação pelo governo, principalmente no Sul do país.

No sul, hoje, a transgênica atinge índice de 85%, enquanto no Sudeste deve chegar este ano a 58% e, no Centro-Oeste, a 51,5%, segundo levantamento da consultoria Céleres, que registra índice nacional de 64,7%.

Da área total de 22.395 mil hectares prevista para a soja no Brasil em 2008/09, a transgênica deve ocupar 14.484 ha, com aumento de 1,2 milhão em relação ao ano passado.

Perspectiva

Na macrorregião de Ribeirão Preto, que compreende 85 municípios, não há levantamento oficial, mas se estima que a transgênica, com a expansão que vem registrando, vai ocupar cerca de 30 mil dos 100 mil hectares de soja nesta nova safra.

“A perspectiva é de que continuará a expansão graças ao bom resultado das pesquisas que favorece o aparecimento de novas cultivares, inclusive de ciclo precoce indicadas para a rotação com a cana-de-açúcar”, afirma o agrônomo José André Pazetto, supervisor do Departamento de Produção de Sementes da Carol.

Reforçando o pensamento de especialistas, Pazetto acredita que “num futuro não muito distante, a soja transgênica vai predominar em todas as áreas”. Não se fala em 100%, pois nem os Estados Unidos chegaram a tanto. Há alguns fatores que sustentam a soja convencional e, entre eles, se inclui a perspectiva de remuneração suplementar para quem a produzir.


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