Solae produzirá mais proteína de soja


Agronegócio

Solae produzirá mais proteína de soja

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Associação entre a Bunge e a DuPont investe US$ 100 milhões no Rio Grande do Sul. A Solae Company, joint-venture entre o grupo DuPont e a Bunge Limited, está investindo R$ 300 milhões (US$ 100 milhões) na duplicação de sua fábrica de proteínas isoladas de soja em Esteio, no Rio Grande do Sul. Com isso, a capacidade de esmagamento vai para 800 toneladas por dia. Essa é a terceira linha industrial do complexo de Esteio. Nos últimos três anos, o processamento de soja cresceu 300%.

A proteína isolada - um concentrado com 96% de pura proteína - é um dos mais rentáveis produtos da soja e movimenta, anualmente, US$ 2 bilhões em todo o mundo. Ela é utilizada em barras de cereais, bebidas prontas, cereais e, principalmente, como emulsificante para a indústria de embutidos de carnes. "Ela é excelente para dar a liga na fabricação da salsicha", explica uma fonte da indústria de alimentos.

A aposta de Bunge e DuPont é ambiciosa. As duas empresas estão de olho no próspero mercado de proteína de soja, que cresce a uma taxa de 10% a 15% ao ano. O segmento ganhou impulso em 2000, quando o Federal Drug Administration (FDA), órgão de saúde dos Estados Unidos, recomendou o consumo diário de 25 gramas de proteína de soja para a prevenção de problemas cardíacos.

Tradicionalmente, a proteína consumida por seres humanos vem da carne, do leite e do ovo. A vantagem da proteína isolada é que seu custo é menor. Com isso, as indústrias de alimentos adicionam valor nutricional a seus produtos e obtêm margens de lucro maiores.

A proteína é extraída do farelo de soja por meio de um processo de purificação. De acordo com a consultoria americana Soyatech, 3,2% do esmagamento mundial foi transformando em proteína concentrada, texturizada e isolada de soja.

A Soyatech divulgou, no mês de abril, um estudo sobre o mercado de proteínas, e concluiu que ele vem crescendo seis vezes mais rápido do que o mercado de soja como um todo. Somente nos Estados Unidos, as vendas de alimentos à base de soja quadruplicaram desde 1992, passando de US$ 852 milhões para US$ 3,7 bilhões.

Há cerca de dois anos, a própria DuPont e a General Mills lançaram, nos Estados Unidos, uma linha de sucos à base de soja chamada 8th Continent.

A criação da Solae - joint-venture em que a DuPont tem 72% do capital e a Bunge, 28% - foi anunciada no início deste ano. Ela nasce com quatro fábricas e seis centros tecnológicos espalhados por Europa, Ásia e América do Norte e Sul. No Brasil, a nova configuração entra em operação ainda neste mês.

A fábrica de Esteio é a única em toda América do Sul a fabricar proteína isolada. Como a maior parte da sua produção abastece o mercado externo - que não aceita soja transgênica -, a unidade só trabalha com grão convencional, adquirido e certificado de produtores do Rio Grande do Sul. Os agricultores recebem um prêmio de 4% sobre o grão transgênico. Com a joint-venture, a Solae tornou-se a maior processadora de proteínas do mundo, ao lado de gigantes como as americanas Archer Daniels Midland (ADM) e Cargill.

O mercado de proteína é sempre cercado de muito sigilo por ser altamente lucrativo e ter poucos competidores: o investimento em uma unidade industrial é altíssimo. "Todos os equipamentos da nova unidade são feitos sob medida e importados dos EUA", diz um executivo da Bunge, que prefere não se identificar. O CEO do grupo, Alberto Weisser, disse há meses que o negócio de proteína isolada era o que mais crescia dentro da companhia.

Se as margens de lucro são mantidas a sete chaves, é possível se ter uma idéia da rentabilidade do negócio a partir da joint-venture entre as duas empresas. Com a associação, a DuPont pagou R$ 768 milhões (US$ 256 milhões) pela fábrica da Bunge Limited no Brasil. O investimento é similar ao faturamento da Cargill do Brasil, que foi de R$ 789,9 milhões em 2001, segundo a revista Balanço Anual, publicada pela Gazeta Mercantil.

kicker: Mercado deve faturar cerca de US$ 2 bilhões em 2003; setor cresce de 10% a 15% ao ano


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