Solo e água na propriedade leiteira é tema de Dia de Campo em Vista Alegre
150 participaram do evento
A programação da manhã contou com a participação da assistente técnica regional da área social da Emater/RS-Ascar, Dulcenéia Haas Wommer, que realizou uma palestra motivacional com os agricultores, despertando a autoestima e fazendo uma reflexão sobre a realidade da agricultura familiar e o que eles esperam para o futuro. Na sequência, a temática trabalhada foi a gestão da unidade de produção, abordada pelo assistente técnico regional de sistemas de produção animal da Emater/RS-Ascar, Valdir Sangaletti, explicitando os aspectos que influenciam na gestão de uma propriedade rural e os fatores de produção que devem ser medidos para gerenciar as atividades e a propriedade como um todo. "A gestão é o processo de tomada de decisões, que deve levar em conta aspectos técnicos, econômicos, sociais e ambientais. Em uma propriedade rural fatores como terra, mão de obra, capital, conhecimento e tecnologias são essenciais para análise, pois interferem no resultado de produção de uma propriedade", afirmou Sangaletti.
À tarde, a programação continuou na propriedade da família Botton, que possui 25 hectares, onde predomina a atividade leiteira. Os 30 animais em lactação alcançam uma média de produção de 18 mil litros de leite por mês. A propriedade conta com 2,5 hectares de pastagem perene irrigado e seis hectares de pastagens anuais. A história da família Botton é exemplo de sucessão que deu certo. Dos cinco filhos do casal João e Ilda Botton, Patrícia, a filha mais nova, foi a responsável pela sucessão familiar da propriedade. Aos 18 anos, a jovem, que sempre sonhou em estudar medicina veterinária, saiu de casa e concluiu os estudos, contando com o apoio e investimento da família. Ao encerrar o curso, com o incentivo da família e do marido, Marcelo Batalin, voltou à Vista Alegre para assumir as atividades da unidade.
"Chegou uma hora que eu pensei que devíamos achar um meio da propriedade continuar crescendo, que fosse bom para todos. Sei que fiz bem em fazer isso, de apostar nos estudos e confiar a propriedade a eles. Nós gostamos de morar aqui, amamos nossa terra. É só plantar e tratar que produz. Esse é o nosso paraíso", desabafou João Botton, relembrando como foi designar à filha os cuidados.
O investimento na produção leiteira, que ficou por cinco anos estagnado, foi alto, mas com o trabalho familiar e a qualificação da jovem a propriedade tornou-se exemplo para outros produtores. A história da família Botton foi contada na estação que tratou sobre a sucessão familiar e a busca pela qualificação das atividades agrícolas, coordenada pela extensionista da área social da Emater/RS-Ascar, Ana Claudia Zanatta Pedon. "Foi-se o tempo em que ser agricultor era uma opção para quem não tinha outra oportunidade, de trabalho ou estudo. Cada dia é um desafio novo e temos que estar preparados, qualificados para isso", frisou Patrícia.
No ano em que é comemorado o Ano Internacional dos Solos uma das estações do Dia de Campo tratou sobre esse assunto, sob coordenação do assistente técnico regional de recursos naturais, Carlos Roberto Olczevski. Foram abordadas as três dimensões da fertilidade do solo que os produtores de leite devem observar na produção de forragens e milho para silagem e como garantir a fertilidade química, física e biológica dos solos, para conseguir alta produtividade de forragens e silagem a longo prazo.
A estação que abordou os sistemas de irrigação ficou a cargo do engenheiro agrônomo da Emater/RS-Ascar, Maicon Bisognin. Os programas existentes e as formas de acesso a esse benefício foram explicados pelo agrônomo, bem como as vantagens do uso da irrigação. Segundo ele, a irrigação potencializa o aproveitamento dos nutrientes, aumenta a produção de forragem, permite o aumento da lotação de animais por hectare e possibilita a realização de fenação. Maicon explicou ainda os diferentes sistemas existentes, como móvel, semiautomático, automático e suas particularidades. "A escolha por um sistema de irrigação deve estar baseada na necessidade de cada propriedade", comentou. Segundo ele, na propriedade da família Botton, com a instalação do sistema de irrigação, hoje, a capacidade de lotação por hectare é de 12 a 15 animais.
O técnico em agropecuária da Emater/RS-Ascar, Josimar Bellegante, falou sobre secagem de grãos com ar natural em silos secadores. "Com matéria-prima de má qualidade não poderemos obter um produto final de boa qualidade. A secagem permite liberação antecipada de área, armazenamento por um período mais longo impende o desenvolvimento de microrganismos e insetos, mantém o poder germinativo, gera menor perda de produção no campo e reduz as perdas qualitativas e quantitativas do produto. Além disso, usa-se menos mão de obra, há menor movimentação do produto e seca qualquer variedade e quantidade de grão, tendo baixo custo de construção e retorno rápido do capital investido", afirmou Josimar, alegando que esta é uma ótima opção para produtores de semente, sendo uma tecnologia sustentável que utiliza como fonte de calor a luz solar.
O gerente adjunto do escritório regional da Emater/RS-Ascar de Frederico Westphalen, Mario Coelho da Silva, prestigiou o evento e parabenizou a família pela história de vida e pela recepção na propriedade. "A profissão de agricultor, aquele que produz alimentos, é cada vez mais respeitada. Sintam-se todos valorizados. Temos orgulho de realizar ações como essa, de ver uma família crescendo, evoluindo. É isso que faz crescer também o município e a região", destacou. O Dia de Campo contou ainda com a participação do vice-prefeito de Vista Alegre, Moacir Zanatt, do secretário Municipal da Agricultura, Volmir Candaten e demais autoridades locais.