Sorgo: propriedades antioxidantes podem estimular consumo humano
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Agronegócio

Sorgo: propriedades antioxidantes podem estimular consumo humano

Sorgo é fonte de energia para mais de 300 milhões de pessoas em países em desenvolvimento
Por: -Marianna
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Mesmo em eventos especializados, voltados para o público da área agropecuária, muitas pessoas ainda perguntam: o que é o sorgo? Pra que ele serve? “Na alimentação humana, o sorgo apresenta uma capacidade antioxidante bastante elevada e esse é um dos diferenciais do cereal como alimento funcional”, expôs a pesquisadora Hercia Stampini Duarte Martino, da UFV (Universidade Federal de Viçosa) durante o XXVIII Congresso Nacional de Milho e Sorgo.

Na verdade, o sorgo é fonte de energia para mais de 300 milhões de pessoas que vivem em países em desenvolvimento. “No continente africano, 75% do total de grãos produzidos são para consumo humano”, complementou o pesquisador Carlos Wanderlei Piler de Carvalho, da Embrapa Agroindústria de Alimentos (Rio de Janeiro-RJ). No Brasil, apesar da população não ter entre seus hábitos de consumo produtos derivados do sorgo, resultados de pesquisa podem reverter esse quadro. O motivo? Suas propriedades funcionais.

Segundo a pesquisadora Hercia Stampini, o diferencial do cereal é a alta concentração de uma substância em sua composição – a antocianina – encontrada em poucos cereais e outros alimentos, como frutas e verduras, e de elevada atividade antioxidante. “Isso distingue o sorgo dos demais cereais. Em sua composição, há compostos fitoquímicos com propriedades altamente antioxidantes, como ácidos fenólicos e flavonóides”, explica a pesquisadora. Outra característica é a qualidade da proteína, além da presença de minerais, como o ferro, o fósforo, o magnésio e o zinco.
Cultivares de sorgo com tanino, uma substância cuja concentração depende da constituição genética do material e capaz de inibir o ataque de insetos, pássaros e herbívoros à planta, têm se revelado ainda mais promissoras. Essas cultivares possuem sabor amargo e adstringente, mas, por outro lado, inibem a proliferação de células de câncer de esôfago e cólon, segundo pesquisas conduzidas pela pesquisadora da UFV. “Em países africanos, estudos comprovaram uma maior incidência de câncer em indivíduos que tiveram suas dietas alteradas do sorgo para outros cereais”, mostra Stampini.

Em pessoas diabéticas, o cereal apresenta outra vantagem. “Produtos feitos com a farinha de cultivares de sorgo com tanino são digeridos mais lentamente. Isso contribui para um período maior de saciedade e plenitude gástrica em comparação com outros cereais”, diz a pesquisadora. “Em estudos com indivíduos diabéticos, percebeu-se redução nos níveis de glicemia devido ao maior volume de fibras”, completa a pesquisadora. Completa o rol de potencialidades do sorgo a ausência de glúten na farinha, podendo ser usada na dieta de pessoas portadoras de doença celíaca.

Desenvolvimento de produtos já é realidade

A Embrapa vem realizando testes sensoriais para saber a opinião de potenciais consumidores a cerca de produtos que têm como matéria-prima o sorgo. Barras de cereais, pipoca, biscoitos e bolos apresentam potencial para serem usados diariamente. “A farinha de sorgo, após passar por um processo de extrusão, pode ser usada também como cereal matinal. O produto possui a mesma composição das farinhas integrais do cereal, com suas propriedades funcionais”, reforça o pesquisador Carlos Wanderlei Piler de Carvalho, da Embrapa Agroindústria de Alimentos.

DEGUSTAÇÃO – Esses compostos bioativos de interesse para a saúde humana estão presentes nos biscoitos feitos com a farinha de sorgo, produto que vem sendo degustado pelos participantes do XXVIII Congresso Nacional de Milho e Sorgo. “Gostei muito do sabor, uma delícia”, disse o professor Pedro Vidigal, da Universidade Estadual de Maringá. “Certamente compraria se o produto estivesse no mercado. Achei o sabor similar ao biscoito comum”, analisou o engenheiro agrônomo Marcelo Minamiguchi. “Parece aqueles cookies de biscoito. Achei a textura boa, talvez acrescentasse mais açúcar na receita”, sugeriu a engenheira agrônoma Geovana Entringer.

O painel sobre o tema foi coordenado pela pesquisadora Valéria Aparecida Vieira Queiroz, da área de Nutrição da Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas-MG), que vem desenvolvendo pesquisas sobre o tema. O XXVIII Congresso Nacional de Milho e Sorgo, realizado pela Embrapa Milho e Sorgo, Embrapa Transferência de Tecnologia, Unidades da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, e Universidade Federal de Goiás, foi encerrado na última quinta-feira, 02, em Goiânia-GO. A promoção foi da ABMS (Associação Brasileira de Milho e Sorgo).

As informações são da assessoria de imprensa da Embrapa Milho e Sorgo.

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