Suinocultura sustentável é tema de Dia de Campo

Dia de Campo

Suinocultura sustentável é tema de Dia de Campo

Emater/RS-Ascar e Embrapa Suínos e Aves de Concórdia/SC estão trabalhando juntas em um projeto que visa desenvolver a suinocultura de maneira sustentável
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Buscando a qualificação da atividade suinícola e a capacitação dos produtores da região, a Emater/RS-Ascar e Embrapa Suínos e Aves de Concórdia/SC estão trabalhando juntas em um projeto que visa desenvolver a suinocultura de maneira sustentável, a partir do manejo adequado dos dejetos, do solo e da água. Três dias de campo foram programados nas Unidades de Referência Técnica (URTs) desse projeto, que estão aplicando novos conhecimentos para gerar indicadores e resultados que possam contribuir com os demais produtores. O primeiro dia de campo foi realizado nesta terça-feira (08/01), em Palmitinho, na propriedade da família Vargas, localizada na Linha Lajeado Leão. As próximas atividades serão realizadas em Pinhal, no dia 15/01, na propriedade da família Moro, na Linha Pitol, e em Rondinha, no dia 22/01, na Linha Santa Lucia, na propriedade da família Frighetto.

A programação dos dias de campo envolve quatro temáticas. Gestão da água e gestão de dejetos são temas abordados pelos pesquisadores da Embrapa Suínos e Aves de Concórdia/SC, Evandro Barros e Paulo Baldi. Gestão do solo e gestão da propriedade são assuntos trabalhados pela equipe da Emater/RS-Ascar, juntamente com a família assistida. As atividades são realizadas pela Emater/RS-Ascar, Embrapa, Prefeitura de Pinhal, Palmitinho e Rondinha, e Associação dos Suinocultores de cada município.

Em Palmitinho, sobre gestão de dejetos, o pesquisador da Embrapa, Evandro Barros, explicou sobre sua composição e as diferentes formas de aplicação. Segundo ele, metade dos nutrientes consumidos pelos animais vai para os dejetos e se torna fertilizante. Dessa forma, é possível substituir uma parte da adubação mineral através da aplicação de dejetos no solo. Barros explicou sobre as diferentes formas de aplicação dos dejetos, seja de forma superficial ou injetada. "A aplicação injetada reduz 90% do odor na lavoura e a raiz absorve de forma mais eficiente os nutrientes. Na aplicação superficial é preciso ter mais cuidado, pois em períodos de chuvas excessivas acontece o escorrimento dos dejetos, resultando na contaminação das águas", alertou o pesquisador. Evandro informou aos produtores que os técnicos da Emater/RS-Ascar estão capacitados para orientar e realizar o cálculo sobre o volume do uso de dejetos.

Outro ponto abordado pela equipe da Embrapa foi sobre a gestão da água na atividade da suinocultura. O pesquisador Paulo Baldi falou da importância da água para produção de suínos e apontou fatores importantes na gestão da atividade. De acordo com Baldi, para evitar excesso de água na granja é preciso estar atento à calibração e altura dos bebedouros, a possíveis vazamentos, a limpeza do ambiente e a possibilidade de captação da água da chuva através do sistema de calhas. Outro ponto importante destacado pelo pesquisador da Embrapa foi o uso do hidrômetro. "É um instrumento simples, de baixo custo e fundamental. Contribui para facilitar no planejamento e manejo da atividade, permitindo ao produtor observar o consumo de água nas diferentes fases de produção", comentou Baldi.

Na estação sobre gestão da propriedade, o técnico em agropecuária da Emater/RS-Ascar, Alex de Mello Rubin, juntamente com o produtor Vanderlei Vargas, apresentou sobre o trabalho realizado na Unidade de Referência e os resultados alcançados até o momento. Na propriedade, que também faz parte do Programa Gestão Sustentável da Agricultura Familiar, a suinocultura e a bovinocultura de leite são atividades integradas. As pastagens e a área de milho para silagem são adubadas com os dejetos produzidos pela atividade da suinocultura. Uma das experiências realizadas na propriedade foi a utilização do homogeneizador nas esterqueiras. Segundo o produtor, com o uso desse instrumento o dejeto aplicado na lavoura apresentou grandes diferenças. 

De acordo com o técnico da Emater/RS-Ascar, a utilização do homogeneizador contribui na aceleração da maturação dos dejetos e propicia um fertilizante de melhor qualidade em menos tempo. Além disso, uma das principais vantagens desse equipamento é a uniformidade do dejeto que é levado à lavoura, garantindo a distribuição dos nutrientes de forma igual. Alex falou também do acompanhamento que a Emater/RS-Ascar vem realizando na produção suína da propriedade através do aplicativo Custo Fácil, ferramenta desenvolvida Embrapa, que auxilia no planejamento e na operacionalização da atividade.

O assistente técnico regional de recursos naturais da Emater/RS-Ascar, Carlos Roberto Olczevski, a partir das experiências que foram realizadas em áreas da propriedade da família Vargas, destacou as práticas e manejos que devem ser realizadas para obtenção de melhores resultados. A análise de solo foi o primeiro fator apontado. Segundo o assistente técnico, a análise de solo deve ser realizada nas diferentes glebas, com coleta de dez a 20 pontos em cada área, para saber a real necessidade do solo. Olczevski salientou ainda que a quantidade de dejetos aplicado no solo será correspondente à expectativa de produção, conforme a atividade desenvolvida e o quanto se pretende produzir em determinada área.

Aproveitando o espaço, o responsável pelo Setor de Meio Ambiente do município de Palmitinho, Jean Candaten, falou sobre o trabalho de gestão ambiental que vem sendo realizado no município e se tornou referência na região. Segundo ele, esse projeto surgiu devido o grande volume de dejetos gerado em Palmitinho, em decorrência da atividade da suinocultura. Primeiramente, foi realizado um mapeamento da área de disponibilidade dos dejetos e, posterior, um diagnóstico completo da atividade, para pesquisar a disponibilidade de dejetos e água. Através dessa análise percebeu-se que a área agricultável do município estava equivalendo à área de necessidade para disposição dos dejetos. Frente a esse desafio, o município contou com o apoio das entidades ligadas ao setor, Embrapa, Emater/RS-Ascar e demais instituições, para buscar uma solução. Hoje, o município desenvolveu um cálculo que facilita o planejamento das propriedades com suinocultura quanto à área de disposição e utilização dos dejetos.

Lideranças e autoridades prestigiaram o Dia de Campo em Palmitinho, como o prefeito, Caetano Albarello, o gerente do Escritório Regional da Emater/RS-Ascar de Frederico Westphalen, Clairto Dal Forno, o assistente técnico estadual de suinocultura, Henrique Bartels, o assistente técnico regional de sistemas de produção animal, Valdir Sangaletti, representantes de instituições financeiras, técnicos da Emater/RS-Ascar e produtores da região.


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