Suínos: custo sobe e preço ao produtor cai no Paraná
Preço do suíno cai 24,68% em um ano no Paraná
Foto: Divulgação
O custo de produção de suínos no Paraná subiu 2,58% em agosto de 2026, enquanto o preço recebido pelo produtor caiu 4,15%. Segundo dados divulgados pela Central de Inteligência de Aves e Suínos (CIAS), da Embrapa Suínos e Aves (CNPSA), o custo chegou a R$ 5,96/kg, enquanto o preço médio do suíno vivo ficou em R$ 5,31/kg.
A diferença entre custo e remuneração aumentou a pressão sobre as margens da suinocultura paranaense. Em agosto, o produtor recebeu, em média, R$ 0,65/kg menos do que o necessário para cobrir o custo de produção.
Segundo dados divulgados pela CIAS/Embrapa Suínos e Aves, o custo de produção do suíno vivo no Paraná passou de R$ 5,81/kg em julho para R$ 5,96/kg em agosto. Na comparação com agosto de 2025, quando estava em R$ 5,73/kg, o aumento foi de 4,01%, equivalente a R$ 0,23/kg.
O Índice de Custos de Produção de Suínos (ICPSuíno), considerando janeiro de 2010 como base de 100 pontos, alcançou 363,13 pontos em agosto. O indicador avançou 0,96% ante julho, quando registrou 359,67 pontos, e 1,74% na comparação com agosto do ano passado, quando estava em 356,93 pontos.
Apesar das altas recentes, o ICPSuíno acumula retração de 2,04% em 2026. Nos últimos 12 meses, porém, o indicador apresenta alta de 1,74%.
Na comparação mensal, os maiores aumentos ocorreram nos custos de energia elétrica, calefação e cama, que subiram 8,32%, seguidos pelos custos de capital, com alta de 2,91%, e pela nutrição, que avançou 0,98%.
A genética apresentou queda de 1,34%, enquanto transporte e sanidade permaneceram estáveis. No acumulado do ano, os custos de capital recuaram 9,28%, a ração caiu 0,85% e a genética teve redução de 27,76%.
Por outro lado, energia elétrica, calefação e cama acumulou alta de 9,95% no ano.
A alimentação continua sendo o principal componente do custo de produção da suinocultura paranaense. Segundo dados divulgados pela CIAS/Embrapa Suínos e Aves, o item representa 70,64% do custo total.
Em agosto, o gasto com alimentação alcançou R$ 4,21/kg, alta de 3,44%, ou R$ 0,14/kg, em relação aos R$ 4,07/kg registrados em julho. Na comparação com agosto de 2025, quando o custo era de R$ 3,93/kg, também houve aumento.
No ICPSuíno, a nutrição representa 72,53% do indicador. O componente acumula queda de 0,85% em 2026, mas alta de 4,29% nos últimos 12 meses.
A genética representa 2% do ICPSuíno e apresentou queda significativa no acumulado do ano. Já o custo de capital, com peso de 6,84% no indicador, recuou 9,28% em 2026 e 14,37% nos últimos 12 meses.
A pressão sobre os custos também apareceu em outros importantes estados produtores. Em Santa Catarina, o custo de produção chegou a R$ 6,35/kg em agosto, alta de 0,95% ante os R$ 6,29/kg de julho.
No Rio Grande do Sul, o custo alcançou R$ 6,40/kg, crescimento de 1,43% em relação aos R$ 6,31/kg registrados no mês anterior.
Enquanto os custos avançaram, o preço recebido pelo produtor paranaense recuou. Segundo dados divulgados pela CIAS/Embrapa Suínos e Aves, o preço nominal médio estadual do suíno vivo foi de R$ 5,31/kg em agosto, queda de 4,15%, ou R$ 0,23/kg, frente aos R$ 5,54/kg de julho.
Na comparação com agosto de 2025, quando o preço médio era de R$ 7,05/kg, a retração chegou a 24,68%, equivalente a R$ 1,74/kg.
Com isso, o preço médio de R$ 5,31/kg ficou R$ 0,65/kg abaixo do custo de produção de R$ 5,96/kg. A remuneração ficou, portanto, 10,91% abaixo do custo estimado para a atividade.
A trajetória ao longo de 2026 também mostra a pressão sobre os produtores. Em janeiro, o suíno vivo era comercializado por uma média de R$ 6,94/kg. Em agosto, o valor caiu para R$ 5,31/kg, retração de 23,49%.
O cenário combina aumento do custo de produção e queda da remuneração. Em agosto, enquanto o custo avançou 2,58% na comparação mensal, o preço recebido pelo produtor caiu 4,15%.
Além dos custos elevados e dos preços em queda, agentes de mercado apontam outros fatores que contribuem para a pressão sobre a atividade. Entre eles estão o ritmo mais lento do consumo interno de carne suína, a concorrência com a carne de frango, o elevado endividamento das famílias e as dificuldades de escoamento de produtos processados.
A oferta maior de carne suína também pesa sobre o mercado. Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foram abatidos 15,70 milhões de suínos no segundo trimestre de 2026.
O volume representou alta de 4% em relação ao mesmo período de 2025 e crescimento de 2,6% na comparação com o primeiro trimestre de 2026.
Esse conjunto de fatores mantém a suinocultura paranaense sob pressão, com dificuldades financeiras para os produtores e menor espaço para recuperação das margens. O cenário também coloca em evidência a necessidade de ajustes na produção de suínos para abate, de acordo com a demanda atual e as perspectivas futuras do mercado.