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SureBeam chega ao Brasil atraída por potencial agrícola


Empresa americana, que irradia alimentos, investe US$ 10 milhões em unidade no Rio, primeira filial fora dos EUA. A SureBeam, empresa norte-americana especializada em irradiação de alimentos, inaugurou ontem no Rio sua primeira fábrica fora dos Estados Unidos. A unidade recebeu investimentos de US$ 10 milhões e utiliza irradiação por feixe de elétrons, similar à do microondas, para eliminar bactérias e microorganismos nocivos à saúde. A técnica prolonga de 50% a 100% a vida de frutas e vegetais.

A escolha do Brasil como ponto de partida para a expansão internacional da empresa deveu-se, segundo o gerente da SureBeam Brasil, Nicolau Saptchenko, ao potencial agrícola do País, o terceiro maior do mundo em produção de frutas e um dos maiores em gêneros agrícolas. Saptchenko afirmou que a SureBeam estuda a criação de novas unidades próximas a pólos produtores, como o Vale de São Francisco, no Nordeste, que responde por 40% das exportações de frutas tropicais, e a Região Sul, que detém 49% da produção de carne de aves do País.

A fábrica do Rio, localizada ao lado das Centrais de Abastecimentos do Rio (Ceasa), deve atender, de acordo com Saptchenko, aos produtores que atuam em um raio de 500 a 600 quilômetros e que escoam sua produção pelos portos fluminenses ou pelo aeroporto do Rio. O custo para irradiar os produtos, segundo o executivo, varia segundo a quantidade de irradiação. Nos Estados Unidos, a irradiação de um quilo de carne custa US$ 0,12. O processo aplicado às frutas é quatro vezes mais barato.

Para o diretor-substituto do Departamento de Defesa e Inspeção Vegetal do Ministério da Agricultura, Oscar de Aguiar Rosa Filho, a tecnologia servirá para abrir novos mercados aos produtos brasileiros, especialmente os dos Estados Unidos e da Europa, com rígidas barreiras fitossanitárias aos importadores. "Os Estados Unidos querem o mamão produzido aqui, mas não querem a larva da mosca que pode acompanhar o produto e contaminar suas lavouras. Por isso, os produtos irradiados, livres de contaminação, são mais fáceis de serem negociados e têm maior valor de mercado", explica Aguiar.

O delegado federal de Agricultura no Rio, Pedro Cabral da Silva, cita como exemplo a perda de competitividade do mamão papaia do Espírito Santo, e do melão e da manga, do Nordeste, para concorrentes como o Havaí, por exemplo, na disputa pelo mercado norte-americano. Segundo Silva, o País perdeu vendas por não ter um tratamento no pós-colheita que garantisse a desinfestação dos alimentos. "A vinda desta tecnologia para o Brasil aumentará nosso potencial de exportação", afirma.

Segundo Aguiar, o método poderá ainda facilitar o alcance das metas de redução da fome propostas pelo governo federal. Aguiar afirma que cerca de 30% da produção agrícola do País se perde no caminho da plantação à casa do consumidor. Ele destaca que o método da irradiação apresenta melhores resultados do que os historicamente utilizados no País, como o tratamento hidrotérmico, que banha os alimentos em água a 39º C, e o processo de descontaminação química, com uso de substâncias como o brometo de metila.

A fábrica do Rio está instalada em uma área de 25 mil m² cedida em comodato pela Ceasa por 20 anos. A área construída é de 6 mil m², onde estão instalados uma câmara frigorífica, para receber os produtos refrigerados, como as carnes, e dois irradiadores.

Inicialmente, a fábrica vai operar com 10% da capacidade total, estimada em 250 toneladas por dia. A expectativa é irradiar este ano 5 mil toneladas de produtos. "Os alimentos entram nos irradiadores embalados e são processados em frações de segundo; o produto congelado, por exemplo, sai com temperatura inferior em, no máximo, 1º C", diz Saptchenko.

Doze toneladas de frutas, ele diz, podem ser irradiadas em 90 minutos. A fábrica do Rio, que foi autorizada pela Comissão Nacional de Energia Nuclear e pela Feema, é a quinta unidade da SureBeam, que iniciou as atividades em 1999. Seu faturamento em 2002 foi de US$ 37 milhões. Os produtos irradiados pela empresa podem ser encontrados em 7,5 mil pontos de venda dos Estados Unidos. Os planos de expansão incluem a inauguração de unidades no Vietnã e na Arábia Saudita.

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