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Sustentabilidade sem capital é “só discurso”

Esse cenário evidencia a diferença entre dois tipos de sustentabilidade


Esse cenário evidencia a diferença entre dois tipos de sustentabilidade Esse cenário evidencia a diferença entre dois tipos de sustentabilidade - Foto: Pixabay

A relação entre sustentabilidade e financiamento no agronegócio tem se mostrado cada vez mais dependente das condições econômicas e do custo do capital. A avaliação é de Denise Curi, mentora e consultora em Sustentabilidade, ao analisar os efeitos recentes da política monetária e do crédito rural sobre o setor.

Na semana passada, o Banco Central reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,75%, mantendo cautela diante das incertezas inflacionárias e do impacto do choque de energia. Em paralelo, o Plano Safra 2025/2026 foi lançado com R$ 516,2 bilhões, sendo que até fevereiro já haviam sido contratados R$ 354,4 bilhões, volume 7% superior ao registrado no mesmo período da safra anterior.

Embora esses dados estejam ligados à política econômica, eles também indicam como a sustentabilidade depende diretamente dos incentivos financeiros disponíveis. No agronegócio, práticas sustentáveis não avançam apenas por convicção, mas pela capacidade de competir por recursos em um ambiente de crédito restrito.

Com juros elevados, decisões de investimento passam a ser guiadas por retorno financeiro, proteção de caixa e redução de riscos. Nesse contexto, projetos com prazo mais longo tendem a perder espaço, enquanto iniciativas que comprovam ganhos operacionais e econômicos se tornam prioritárias.

Esse cenário evidencia a diferença entre dois tipos de sustentabilidade. Uma depende de condições favoráveis e tende a recuar quando o capital encarece. A outra está ligada à eficiência produtiva, à redução de desperdícios, à preservação de recursos naturais e à competitividade, ganhando relevância justamente em momentos de pressão financeira.

Diante de um setor exposto a variáveis como clima, preços internacionais, câmbio e logística, a sustentabilidade passa a ser interpretada como ferramenta de gestão de risco, proteção de margem e acesso a mercados. A tendência é que apenas iniciativas com impacto direto na resiliência produtiva se mantenham viáveis em cenários de crédito mais caro.
 

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