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Toxina produzida por carrapato pode retardar o avanço de tumores

Carrapato pode ser encontrado apenas no RS

Carrapato pode ser encontrado apenas no RS

Pesquisadores isolaram pela primeira vez uma toxina produzida pelo carrapato Ornithodoros brasiliensis que possui efeito antiangiogênico - capaz de inibir o processo de cicatrização da pele. Segundo o estudo,realizado no Instituto de Pesquisas Veterinárias Desidério Finamor (IPVDF), a substância tem uma perspectiva de uso biotecnológico, pois os compostos antiangiogênicos são promissores agentes que podem ajudar no combate ao câncer. A pesquisa, intitulada “Efeito antiangiogênico do homogenato de glândulas salivares do carrapato Ornithodoros brasiliensis”, recebeu o prêmio Uriel Franco Rocha como o melhor trabalho do XVII Congresso Brasileiro de Parasitologia Veterinária, na área de Entomologia e Acarologia Veterinária.

O Ornithodoros brasiliensis, encontrado somente no Rio Grande do Sul, vem infestando a região da serra gaúcha. O trabalho acompanha o ressurgimento do animal, tido como extinto, em diversos casos de parasitismo humano e animal. “Desde 2007, foram registrados 28 casos de parasitismo humano e 11 casos de cães picados pelo carrapato na região de São Francisco de Paula”, afirma o pesquisador José Reck Júnior. Diferente de outros carrapatos, a picada do O. brasiliensis gera na vítima um quadro com reações severas, como dor intensa, inchaço, mal-estar e formação de lesões de lenta cicatrização, causado pelas toxinas do animal.

Sobre a pesquisa

O estudo foi realizado pelos pesquisadores José Reck Júnior e João Ricardo Martins, do IPVDF, unidade da Fepagro em Eldorado do Sul, juntamente com Fernanda Marks e Carlos Termignoni, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Os cientistas caracterizaram a síndrome causada pela picada do carrapato em humanos e animais. Também foram identificados os principais fatores associados à presença do O. brasiliensis em determinadas moradias e os mecanismos pelos quais são desencadeados os sintomas. Recentemente, o grupo iniciou a identificação das substâncias injetadas pelo parasita nas suas vítimas para explicar como ocorrem as lesões e verificar a possibilidade do uso biotecnológico dessas toxinas.

“Demonstramos pela primeira vez que a secreção produzida pelo animal possui efeito antiangiogênico, porque inibe a formação de novos vasos sanguíneos, impedindo a recuperação da área lesionada por falta de nutrientes e oxigenação” explica Reck. Além disso, os cientistas descobriram que a saliva do carrapato tem um potente efeito tóxico, matando as células que recobrem os vasos sanguíneos.

A substância pode ser um aliado na luta contra o câncer porque as células dos tumores precisam da formação de uma rede de vasos sanguíneos para sustentar a sua proliferação. “Se inibimos a formação dos vasos, impossibilita-se o crescimento do tumor, pois ele não recebe oxigênio”, afirma.

A próxima etapa da pesquisa está prevista para atuar em dois eixos: a aplicação das informações epidemiológicas geradas para reduzir o impacto do parasita na sociedade e a análise das toxinas que tenham potencial biotecnológico. No momento, os pesquisadores estão caracterizando a estrutura química dessas moléculas. “Conseguimos aliar o estudo de um problema local que atinge uma cidade gaúcha, fornecendo subsídios para seu entendimento e controle, e ainda gerar perspectivas científicas de uso biotecnológico de toxinas de um animal só encontrado em nosso Estado”, avalia o pesquisador.

Sobre o prêmio

O prêmio Uriel Franco Rocha é uma das mais importantes premiações na área de Parasitologia e é entregue a cada dois anos durante o Congresso Brasileiro de Parasitologia Veterinária. Neste ano, o congresso será realizado de 3 a 6 de setembro em São Luís (MA) e a premiação acontece na abertura do evento. Após a cerimônia, o trabalho será apresentado em forma de palestra.
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