Transgenia no algodão vai além do controle de pragas
Algodão transgênico deve integrar manejo de pragas
Foto: Pixabay
O algodão transgênico pode auxiliar no controle de pragas e plantas daninhas, mas o retorno da tecnologia depende das condições de cada sistema de produção. Pressão de insetos, implantação da lavoura, nutrição, manejo do solo, monitoramento e áreas de refúgio estão entre os fatores que interferem nos resultados.
As cultivares geneticamente modificadas podem apresentar resistência a insetos, por meio de tecnologias Bt, e tolerância a herbicidas. No caso do Bt, a tecnologia auxilia no manejo de lagartas como lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda), curuquerê-do-algodoeiro (Alabama argillacea) e lagarta-da-maçã (Helicoverpa armigera e outras espécies).
Como o algodão permanece por longo período no campo, diferentes fases da cultura ficam expostas ao ataque de pragas. Por isso, a tecnologia deve ser utilizada junto com monitoramento constante e outras práticas de manejo integrado.
O desempenho também depende das condições da lavoura. Falhas de estande, compactação, deficiência hídrica ou desequilíbrios nutricionais podem reduzir parte do ganho esperado, mesmo em cultivares transgênicas.
A presença de soja, milho, tigueras e outras plantas hospedeiras no sistema de produção também influencia a pressão de lagartas entre as safras. Em áreas com histórico de alta infestação, o benefício da tecnologia Bt tende a ser maior.
Manejo continua necessário
O uso de algodão transgênico não elimina a necessidade de controle integrado. Rotação de tecnologias, monitoramento, escolha adequada de cultivares e manutenção de áreas de refúgio são medidas importantes para retardar a seleção de insetos resistentes.
O aspecto econômico também precisa ser considerado. As sementes transgênicas apresentam custo inicial mais elevado, que precisa ser compensado por menor dano das pragas, redução de aplicações de inseticidas ou maior estabilidade produtiva.
Em áreas de baixa pressão de insetos ou com problemas de implantação e manejo, o ganho pode não compensar o diferencial de custo da semente.
Por isso, a decisão deve considerar o histórico de infestação de cada talhão, uso anterior de inseticidas, custos de produção, produtividade e metas de rendimento.
O algodão transgênico pode ser uma ferramenta importante dentro do sistema produtivo, mas sua eficiência depende da integração com práticas de manejo e de resistência ao longo das safras.
O uso de sementes transgênicas e de produtos fitossanitários deve seguir a legislação vigente, as recomendações de rótulo e bula e o receituário agronômico emitido por profissional habilitado.