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Trigo enfrenta equilíbrio instável em meio a oferta ampla

Os fatores de baixa seguem predominantes


Foto: Seane Lennon

O mercado de trigo vive um momento de equilíbrio instável, marcado por forças que limitam quedas mais acentuadas, mas ainda insuficientes para alterar a tendência predominante de baixa observada nas últimas semanas. Segundo a TF Agroeconômica, o comportamento recente dos preços reflete mais ajustes técnicos e movimentos pontuais de cobertura do que uma mudança estrutural no cenário, influenciado por oferta global abundante, postura defensiva dos fundos e um ambiente macroeconômico adverso, com dólar valorizado.

Entre os fatores de sustentação, ganham destaque os fundamentos produtivos e climáticos nos Estados Unidos, onde o déficit de umidade nas áreas de trigo de inverno eleva o risco para a safra 2026. Soma-se a isso a expectativa de redução da área plantada, estimada em 13,12 milhões de hectares, abaixo dos 13,42 milhões registrados na temporada anterior, sinalizando menor potencial de oferta futura. No campo geopolítico, a intensificação do conflito entre Rússia e Ucrânia, com ataques a embarcações civis próximas a Odessa e o uso de armamentos mais sofisticados, reforça o prêmio de risco logístico e mantém o mercado sensível a qualquer interrupção no fluxo exportador do Mar Negro. Os estoques finais dos Estados Unidos também apresentam leve viés altista, com projeção de 24,39 milhões de toneladas, abaixo do número divulgado em dezembro, ajudando a conter pressões negativas mais fortes.

Por outro lado, os fatores de baixa seguem predominantes. Os fundos de investimento continuam pouco atuantes no lado comprador, enquanto o dólar forte frente ao euro reduz a competitividade do trigo americano. A oferta mundial permanece confortável, com diversos exportadores disputando espaço em um ambiente de competição agressiva por preços. No Brasil, a queda nas exportações, com janeiro registrando 287,4 mil toneladas frente a volumes maiores em meses anteriores, reforça a percepção de maior disponibilidade interna e pressão sobre as cotações.

Apesar de o trigo estar barato em termos históricos recentes, o mercado ainda não apresenta sinais técnicos claros de reversão, mantendo a necessidade de acompanhamento atento dos relatórios do USDA e da evolução do conflito no Mar Negro, principais vetores de volatilidade no curto prazo.

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