Uma agroindústria para cada mil habitantes

Agronegócio

Uma agroindústria para cada mil habitantes

Toda a matéria prima vem de propriedades de famílias que fazem questão de tirar o sustento da própria terra
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O Rio Grande do Sul é conhecido pela tradição na agricultura familiar.  O município de Rolante, que fica a 92 quilômetros de Porto Alegre, faz jus a essa fama. A região se destaca pelo número de agroindústrias familiares.  Ao todo, são 20 unidades que fabricam os mais variados produtos. O número equivale a uma agroindústria para cada mil habitantes, já que, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população estimada de Rolante, em 2016, é de 20.819 habitantes.

Embutidos, sucos, vinhos e pães são alguns exemplos. Toda a matéria prima vem de propriedades de famílias que fazem questão de tirar o sustento da própria terra. O grande número de agroindústrias em Rolante e a alta qualidade dos seus produtos se devem ao apoio técnico que os produtores recebem.

“Quando fizemos o diagnóstico, há muitos anos, identificamos a vocação para a transformação de produtos e, também, o potencial para o turismo rural”, conta a chefe do escritório municipal da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Rio Grande do Sul (Emater Emater/PR), Janelise Wuaden Wastowsk. “Em cima disso, traçamos algumas estratégias e metas para buscar a regularização dos produtos, já que a localização, perto da capital, facilita o acesso ao mercado consumidor”, explica ao destacar que o município também está próximo a Serra Gaúcha e ao Litoral. 

Os extensionistas da Emater/RS orientam o agricultor familiar e acompanham todas as etapas do processo de criação de uma agroindústria. 

“Enxergamos um potencial na propriedade e vamos amadurecendo a ideia junto com eles até a tomada da decisão e a elaboração do projeto”, explica Janelise. “Nós fazemos todo o trabalho de acompanhamento e pós-instalação. Estamos com eles para qualquer entrave e problemas que aparecer”, completa.

Incentivos

O Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) foi fundamental para a idealização das agroindústrias familiares de Rolante. Graças a ele, os agricultores familiares conseguiram acessar linhas de crédito e tirar o sonho do papel.  “O Pronaf é de extrema importância. Eu acredito que todas as politicas públicas que vêm para somar e desenvolver uma atividade ajudam e facilitam”, destaca Janelise.“Aqui, eles têm apoio das políticas municipais, estaduais e nacionais para o desenvolvimento”, acrescenta.

Em 2012, o jovem agricultor familiar Danilo Born, de 31 anos, deixou a atividade leiteira para se dedicar ao seu mais novo projeto: a Embutidos D’Born, que fabrica, entre outros produtos, salame linguiça e copa. Para construir a agroindústria, Danilo Born acessou, em 2011, pela primeira vez, o Pronaf.  Por meio da linha de crédito Agroindústria, ele financiou R$ 60 mil que foram usados na construção do espaço físico do empreendimento, que tem uma área de mais de 380m2. O segundo financiamento pelo programa veio logo em seguida. Foram R$ 80 mil usados na compra de maquinários. 

Essa foi a primeira fase do projeto da agroindústria familiar: construir o espaço físico. Feito isso, Daniel buscou capacitação e informações. “Em Nova Petrópolis eu fiz um curso de fabricação e, logo em seguida, em Caxias do Sul, realizei um de boas práticas de produção e higiene. Depois de três meses estudando, consegui inaugurar a fabrica”, conta satisfeito.  Hoje, ele e a família produzem semanalmente quase quatro mil quilos de embutidos que são vendidos por todo o estado do Rio Grande do Sul.

O empreendimento de Daniel deu tão certo que, recentemente, ele acessou o Pronaf pela terceira vez. Agora, foram financiados R$ 100 mil que estão sendo usados na ampliação em quase 100m2 da agroindústria.
“Eu acredito que sem o Pronaf eu jamais teria conseguido ter realizado o sonho de construir minha agroindústria, eu já teria desistido antes mesmo de ter começado. Se eu não tivesse a ajuda do Pronaf e o pessoal da Emater que me auxiliou, eu não teria feito nada”, afirma. 

Segundo ele, graças ao Pronaf, hoje, ele, a esposa, os pais e os dois irmãos conseguem ficar no campo com emprego, dignidade e renda.  “Toda família está vinculada à agroindústria e nem passa na minha cabeça deixar isso aqui para fazer qualquer outra coisa da vida”, conclui Daniel Born.

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