Uma nova plataforma digital desenvolvida na província de Santa Cruz, na Argentina, pretende ajudar produtores e instituições a identificar as causas da mortalidade animal e reduzir perdas na pecuária. Segundo informações divulgadas pelo Governo da Argentina, a ferramenta IPGeo reúne dados georreferenciados sobre mortes de animais e estratégias de manejo, com o objetivo de apoiar decisões no campo e orientar políticas públicas para o setor.
A plataforma foi desenvolvida por uma equipe de técnicos e pesquisadores do Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (INTA), das unidades de Santa Cruz e Bariloche, em uma iniciativa que também envolveu o Conselho Agrário Provincial (CAP) de Santa Cruz e o Instituto de Promoção Pecuária de Santa Cruz (IPG).
O sistema foi concebido para fortalecer a colaboração entre os setores público e privado na gestão pecuária. A proposta é oferecer informações que contribuam tanto para as decisões nas propriedades rurais quanto para a formulação de políticas provinciais voltadas ao desenvolvimento da atividade.
Marcelo Aguilar, pesquisador da Agência de Extensão Rural de San Julián do INTA Santa Cruz, explicou que o instituto participa da assistência técnica para o desenvolvimento e a implementação da ferramenta em campo, além de contribuir para a análise das informações e das estratégias de mitigação. “Com esse desenvolvimento, produtores e outras organizações poderão ter estatísticas que lhes permitam monitorar a evolução da pecuária em um contexto regional cada vez mais desafiador”, afirmou Aguilar.
Tradicionalmente, a pecuária de precisão está associada ao acompanhamento de indicadores de animais vivos, como peso, condição corporal, produção de lã e ganho de peso. O IPGeo amplia essa abordagem ao registrar informações sobre animais mortos, permitindo analisar a distribuição territorial das perdas.
Segundo Aguilar, o acúmulo de registros poderá viabilizar a elaboração de mapas de risco de mortalidade relacionados à predação e a fatores climáticos, nutricionais e sanitários. A expectativa é que essas informações ajudem a direcionar medidas de prevenção e manejo, além de otimizar os recursos utilizados pelos setores público e privado.
O desenvolvimento contou com a participação da startup Zimatech, de Santa Cruz, responsável pela programação e pelo design durante o teste piloto, realizado com assistência técnica de pesquisadores do INTA.
A etapa de testes reuniu 11 produtores e trabalhadores rurais de 12 estabelecimentos em diferentes regiões da província. O objetivo foi ajustar a interface visual, o código e os procedimentos de inserção dos dados.
O IPGeo tem três componentes: o aplicativo móvel, a plataforma web para consulta de estatísticas e uma interface administrativa destinada à manutenção do banco de dados. Um dos recursos do aplicativo móvel é a possibilidade de funcionar sem conexão com a internet ou sinal de celular. Dessa forma, os usuários podem registrar informações diretamente no campo. Quando o dispositivo volta a ter acesso à rede, os dados são sincronizados automaticamente com o banco de dados na nuvem.
As funcionalidades são configuradas conforme o perfil do usuário, que pode ser proprietário, gerente de estabelecimento pecuário ou trabalhador de campo. O aplicativo permite registrar, georreferenciar e fotografar eventos de mortalidade, de acordo com o diagnóstico. Proprietários e gerentes também podem inserir informações sobre a contagem de animais, índices de produção — como marcação e desmama —, suplementação nutricional e tratamentos sanitários.
Já a versão web permite consultar estatísticas e mapas produzidos a partir dos dados coletados pelo aplicativo. Os usuários também podem aplicar filtros e baixar análises relacionadas às informações das propriedades.
As instituições que integram o consórcio serão responsáveis pela manutenção da base de dados. Técnicos e pesquisadores também deverão verificar a precisão dos diagnósticos de morte informados pelos usuários, com o objetivo de garantir maior rigor e objetividade às estatísticas.
Aguilar informou que está prevista a publicação de anuários estatísticos com base nas análises realizadas pela equipe técnica. A iniciativa deverá permitir o acompanhamento da evolução da pecuária provincial e a avaliação de políticas públicas destinadas a melhorar a produtividade.
Para Miguel O'Byrne, diretor do Conselho Agrário Provincial de Santa Cruz, a ferramenta responde à necessidade de compreender o aumento da mortalidade animal registrado na província nos últimos dez anos. “Para elaborar políticas que abordem esse problema, é preciso informação, e é por isso que este aplicativo foi criado em conjunto com o INTA e o Instituto de Promoção Pecuária de Santa Cruz, a pedido dos produtores”, afirmou O'Byrne.
Segundo ele, o aplicativo será importante para construir uma base de dados consistente sobre a mortalidade e identificar os fatores responsáveis pelas perdas.
O dirigente também destacou o impacto de condições climáticas, como secas e nevascas, sobre os rebanhos. De acordo com O'Byrne, uma taxa de mortalidade anteriormente considerada normal, em torno de 2%, chegou recentemente a 15%, dependendo da categoria animal.
O'Byrne ressaltou que a parceria com o INTA envolve planejamento estratégico, definição de metodologias para a coleta de dados e capacitação de produtores e funcionários. Segundo ele, a participação do instituto também é importante para garantir a continuidade da ferramenta, com melhorias e atualizações ao longo do tempo.
Brian Watson, presidente do Instituto de Promoção Pecuária de Santa Cruz, também destacou a colaboração entre as instituições e informou que o IPG mantém um acordo com o INTA Santa Cruz para receber assessoria técnica.
Na avaliação de Watson, o aplicativo deverá fornecer dados sobre as perdas de animais na província e ajudar na elaboração de políticas para enfrentar o problema. “Esses dados nos permitirão desenvolver políticas para lidar com esse problema, e essa iniciativa é muito importante para Santa Cruz”, afirmou.
O presidente do IPG acrescentou que o setor produtivo percebeu um aumento significativo das perdas de animais por predação. Por esse motivo, segundo ele, o instituto, que representa os produtores, decidiu financiar o projeto em todas as suas etapas.