Vazio sanitário atrasa aparecimento da ferrugem asiática da soja

Agronegócio

Vazio sanitário atrasa aparecimento da ferrugem asiática da soja

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O vazio sanitário da soja (período sem plantio de soja na entressafra), iniciado em 1º de julho, segue até o dia 30 de setembro. Desde a adoção dele, em 2007, Mato Grosso do Sul tem registrado demora no aparecimento da ferrugem asiática da soja. Segundo dados do Consórcio Antiferrugem, na safra 2008/2009, o primeiro relato da doença no Estado foi em Aral Moreira, no dia 16 de dezembro. Na safra 2007/2008, o primeiro registro foi no dia 3 de dezembro, também em Aral Moreira. No período anterior ao vazio, na safra 2006/2007, por exemplo, o primeiro relato foi em Laguna Carapã, no dia 16 de novembro.

“Na primeira safra após a implantação do vazio, a ferrugem demorou 17 dias para aparecer no Estado. Na segunda safra, a doença atrasou um mês para aparecer em relação às safras anteriores à medida”, explica o engenheiro agrônomo da Embrapa Agropecuária Oeste (Dourados, MS), Alexandre Roese.

Ele lembra, no entanto, que no início das duas últimas safras em Mato Grosso do Sul, as lavouras enfrentaram problemas de estiagem. “Isso, apesar de ter prejudicado o desenvolvimento da lavoura, contribuiu para o atraso na ocorrência da doença”, informa.

Outra consideração de Alexandre é que na maioria das doenças tem-se a incidência (aparecimento da doença) e a severidade (progressão da doença). Em função desses dois fatores o vazio sanitário além de atrasar o aparecimento da ferrugem, adia a possibilidade de epidemia, devido à menor quantidade de inóculo do fungo causador da ferrugem no início da safra. “Esse atraso facilita o controle químico da doença”, diz o engenheiro agrônomo.

Estiagem

Na semana passada, durante a reunião do Consórcio Antiferrugem, em Londrina (PR), foi discutido que a seca, que atingiu praticamente todos os estados brasileiros, na safra 2008/2009, foi muito mais prejudicial à soja do que a própria ferrugem asiática. A rede formada pelo Consórcio reúne mais de 100 profissionais de 17 estados brasileiros.

Embora a Bahia e o Paraná tenham computado perdas de produtividade, em função da ferrugem, na maioria dos estados não houve perdas significativas provocadas pela doença, afirmou a pesquisadora da Embrapa Soja, Cláudia Godoy, coordenadora da reunião.

De acordo com ela, apesar do número de focos registrados pelo Consórcio Antiferrugem ter saltado de 2106 para 2884, na safra 2008/2009, a agressividade da doença foi menor do que na safra passada. “A análise que fazemos é que a nossa rede está muito mais rápida e eficiente para identificar e relatar o número de focos”, diz.

O pesquisador Luiz Henrique Carregal, da Universidade de Rio Verde (Fersurv) apresentou informações sobre a situação da ferrugem no Centro-Oeste brasileiro (MT, MS, GO, DF), que cultivou 9,9 milhões dos 21 milhões de hectares de soja brasileiros. A produção da região foi de 29.137 milhões de toneladas. A previsão de produtividade era de 51,20 sacas por hectare, mas foram colhidas 49,05 sacas/ha.”É muito difícil creditar esta queda de rendimento só a ferrugem. Houve muito mais influência climática”, defende.

Outra discussão do encontro foi o consenso sobre a redução da eficiência dos fungicidas do grupo dos triazóis no controle da ferrugem. “A redução da eficiência dos triazóis tem sido observada principalmente no fim da safra, o que reforça a importância do vazio sanitário porque ele atrasa as epidemias, ampliando o período em que esses fungicidas se mostram eficientes”, conclui Alexandre, que participou da reunião do Consórcio.

Sobre a ferrugem

A ferrugem asiática é uma das principais doenças da soja pelo seu alto potencial destrutivo. Constatada inicialmente em 2001 no Brasil, a ferrugem asiática rapidamente se disseminou e, nas últimas safras, foi identificada em quase todas as regiões produtoras de soja do país.

Plantas severamente infectadas apresentam desfolha precoce, o que impede a completa formação dos grãos, com consequente redução da produtividade.

As perdas em grãos, ocasionadas pela ferrugem, vêm diminuindo nos últimos anos, mas ainda ocorrem. A aplicação de fungicidas, o uso de cultivares de soja resistentes e o vazio sanitário são hoje as principais ferramentas de manejo da doença para reduzir perdas.

Durante o vazio sanitário, o sojicultor deve manter a lavoura sem plantas de soja. A fiscalização das propriedades é feita pela Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro).


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