Vinema investirá até R$ 1 bi para produzir etanol de cereal
Sua produtividade chega a 12 toneladas por hectares, com teor de amido de 82% e peso de 52 gramas a cada mil grãos
A construção da primeira unidade deve começar entre março e abril, ao custo de R$ 120 milhões, com conclusão prevista para o final de 2014. O modelo da indústria serve de padrão para as outras cinco, projetadas para os próximos oito anos. Prevê-se que o negócio completo disponha de capacidade de empregar 1,5 milhão de toneladas de matérias-primas - triticália, trigo e sorgo, além de arroz - na produção anual de 600 milhões de litros de álcool.
As Biorefinarias do Sul, que terão sede em Camacuã (RS), terão potencial para resolver dois gargalos produtivos do Rio Grande do Sul: a dependência por importações de gasolina - 98% de um total de 1,3 bilhão de litros consumidos no estado - e o excesso de oferta que derruba o preço do arroz gaúcho.
Na primeira etapa do projeto, com uma planta na cidade de Cristal, serão investidos de R$ 120 a R$ 140 milhões dos R$ 720 milhões empenhados, na semana passada, por um protocolo de intenções assinado pelo governo do Rio Grande do Sul.
As outras unidades devem ser instaladas nas cidades de Cachoeira do Sul, Capão do Leão, Dom Pedrito, Itaqui e Santo Antônio da Patrulha. Cada unidade apresentará, a princípio, um perfil padronizado, com capacidade para processar 750 toneladas de grãos e gerar 300 mil litros de etanol por dia.
O diretor-executivo da Vinema, Vilson Neumann, agora busca acionistas para formar o braço corporativo - ligado à sua companhia, com capital aberto e participação do governo gaúcho - que administrará as refinarias.
"A Vinema foi a primeira empresa a solicitar à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis [ANP] uma autorização para produzir etanol com fontes amiláceas [de amido, encontrado nos cereais]. Após três audiências públicas entre 2011 e 2012, no último 28 de agosto, saiu a portaria que permite a produção de álcool de cereal", ele conta.
Segundo Neumann, em função das usinas, o governo está estimulando a exploração de mais 500 mil hectares no estado. "Garantimos a compra do produto. O Rio Grande do Sul tem uma fronteira agrícola de quatro milhões de hectares ideais para amiláceos", afirma.
Em 2020, a iniciativa deve contar com a colaboração, por meio de contratos, de 12 mil agricultores. Cada tonelada de cereal rende 420 litros de biocombustível.
Arroz especial
A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) está desenvolvendo a variedade AB1147 de arroz, que apresenta nível dobrado de produtividade, em relação a cultivares convencionais, e não é adequada - por aparência e textura - à alimentação.
O cereal é destinado a ser a fonte mais importante para a indústria da Vinema. Sua produtividade chega a 12 toneladas por hectares, com teor de amido de 82% (ante 79% em tipos comuns) e peso de 52 gramas a cada mil grãos (o normal seriam 26 gramas).
"Há mais de 6 mil anos se destila arroz no mundo. Mas ninguém quis dar a cara a tapa para utilizá-lo na fabricação de etanol", diz Neumann, que no próximo dia 23 de fevereiro assina convênio com a Embrapa, durante a abertura da colheita do arroz gaúcho, para o desenvolvimento de novas cultivares amiláceas.