A dificuldade para encontrar trigo com características adequadas ao processamento industrial tem levado moinhos brasileiros a recorrer ao mercado externo e pagar mais pela matéria-prima. O problema está relacionado à perda de qualidade dos grãos após as chuvas registradas durante a colheita, em um período também marcado pela valorização do dólar.
Levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) indica que a menor disponibilidade de trigo de boa qualidade sustenta o aumento das cotações no mercado nacional. A alta da moeda norte-americana na última semana de outubro intensificou esse movimento.
Mesmo com o encarecimento das compras internacionais provocado pelo câmbio, representantes de moinhos consultados pelo Cepea relatam a necessidade de importar o cereal para atender às exigências da indústria. Os custos adicionais estão sendo incorporados aos preços das farinhas.
Apenas uma pequena parcela do trigo atinge classificação tipo 1
Em São Paulo, os efeitos das condições climáticas sobre a produção aparecem nos resultados de classificação dos grãos. Conforme estimativa do Sindicato da Indústria do Trigo de São Paulo (Sindustrigo), somente entre 10% e 15% do volume colhido apresenta condições para enquadramento como trigo tipo 1.
A perda de qualidade está associada às chuvas ocorridas durante setembro, que comprometeram parte significativa da produção.
No Sul do País, a disponibilidade de matéria-prima também preocupa o setor de moagem. Segundo agentes consultados pelo Cepea, encontrar lotes que atendam aos padrões exigidos para a fabricação de derivados tem sido um desafio.
Nesse contexto, parte das indústrias permanece comprando estoques da safra anterior, conhecidos no mercado como "trigo velho". A qualidade desses grãos mantém as pedidas dos vendedores em patamares elevados.
Trigo da nova safra enfrenta restrições comerciais
A entrada do cereal recém-colhido não tem resolvido completamente as dificuldades de abastecimento dos moinhos. Mesmo entre os lotes enquadrados como tipo 1, são frequentes os resultados de qualidade que não atendem aos parâmetros exigidos pela indústria, restringindo as negociações.