O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) incluiu o tomate destinado ao processamento industrial irrigado no Programa Nacional de Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), por meio da Portaria nº 378, publicada nesta sexta-feira (23) no Diário Oficial da União (DOU). A medida estabelece períodos mais favoráveis ao plantio por município, considerando os riscos climáticos, e orienta produtores na busca por crédito rural, seguro agrícola e redução de perdas.
Segundo dados divulgados pelo Mapa, o estudo identifica as janelas de plantio mais adequadas para diferentes municípios, levando em conta a probabilidade de perdas provocadas por eventos climáticos adversos. As informações auxiliam produtores, instituições financeiras e seguradoras no planejamento da atividade. O zoneamento contempla o sistema irrigado, recomendado para o tomate destinado ao processamento industrial. A cadeia fornece matéria-prima para a fabricação de polpas, extratos, molhos e outros derivados.
Em 2025, a produção brasileira de tomate para processamento industrial alcançou 1,88 milhão de toneladas. No país, a produção de tomate divide-se entre o segmento industrial, responsável por 40%, e o consumo fresco, que representa 60%. O Brasil está entre os dez maiores produtores mundiais.
A escolha do tomate industrial para o estudo está relacionada à padronização do sistema produtivo em todo o país. Diferentemente do tomate de mesa, cultivado em uma ampla variedade de sistemas, a produção industrial utiliza irrigação, cultivares híbridas de crescimento determinado e colheita mecanizada. Essa uniformidade permite que um único zoneamento represente adequadamente o sistema de produção e beneficie diferentes elos da cadeia.
Já as lavouras de tomate de mesa continuam enquadradas nas diretrizes do Manual de Crédito Rural destinadas a culturas sem Zarc publicado, ou seja, empreendimentos não zoneados.
A produção de tomate industrial utiliza principalmente sistemas de irrigação por aspersão mecanizada, como o pivô central. Mesmo com o fornecimento controlado de água, porém, a cultura permanece vulnerável a oscilações extremas de temperatura, chuvas excessivas e inadequações do solo ou das cultivares.
O pesquisador da Embrapa Hortaliças, Marcos Braga, explica que esses fatores podem comprometer tanto a produtividade quanto a qualidade da matéria-prima exigida pela indústria. Por isso, o Zarc foi elaborado com a participação da rede Embrapa e de representantes da agroindústria, de instituições de ensino, pesquisa e extensão rural e de empresas agrícolas.
O objetivo é fornecer informações sobre os riscos agroclimáticos para que os produtores adaptem os sistemas de cultivo e reduzam perdas causadas por eventos meteorológicos. As análises também permitem identificar o potencial agroclimático de novas áreas de produção.
A produção nacional de tomate para processamento industrial concentra-se no Cerrado, onde o clima ameno e seco favorece o cultivo irrigado durante a estação de menor precipitação. Os plantios ocorrem principalmente de fevereiro a meados de abril.
Esse calendário contribui para reduzir a ocorrência de doenças, especialmente as causadas por fungos. A cadeia produtiva consolidou-se no Centro-Oeste, com predominância de lavouras irrigadas de grande escala, elevada mecanização e integração com as agroindústrias. Segundo dados divulgados no material do estudo, Goiás responde por 65% da produção brasileira de tomate industrial. Minas Gerais aparece em seguida, com 17%, seguido por São Paulo, com 16%, e Pernambuco, com 2%.
Onde consultar as janelas de plantio do tomate industrial
Os produtores que desejam acessar o Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro), o Programa de Subvenção ao Seguro Rural (PSR) ou o Crédito Rural devem observar as datas de plantio estabelecidas pelo Zarc para o tomate industrial irrigado.
Os resultados estão disponíveis para consulta pública no Painel de Indicadores do Zarc, nas portarias oficiais de cada estado e no aplicativo Zarc Plantio Certo, para dispositivos Android e iOS. A consulta permite verificar as recomendações de plantio de acordo com o município, o tipo de solo, o ciclo da cultivar e o período do ano, contribuindo para o planejamento da produção e a gestão dos riscos climáticos.