1 . O exame de alguns dados do negócio com a soja revela o precário estado do "livre" mercado agrícola.
Brasil e Argentina produzem a metade da soja mundial, com o menor custo de produção e no entanto seus produtores amargaram prejuízos crescentes nas últimas duas safras de, 2.004-5 e 2.005-6, e não se enxerga uma solução para o problema.
Bastou os EUA, com pesados subsídios, aumentarem em 20% a sua produção de soja, em 2.004-5, para acabar com a euforia dos negócios lucrativos que em 2.003e 2.004 os sojicultores brasileiros e argentinos experimentaram.
A Europa e a Ásia não têm condição de produzir soja para garantir a demanda nem de 20% da necessidade de suas criações animais (que alimentam seus mais de 3 bilhões de consumidores humanos) mas, se sentem confortáveis para opor questionamentos e obstáculos que prejudicam os interesses de negócios com a cadeia da soja brasileira e da cadeia da soja argentina – porque os EUA, com os subsídios aos seus agricultores, garantem, artificialmente, seus suprimentos atuais.
Em 2.004, a China argumentando que o Brasil ultrapassara o índice de contaminação insignificante de defensivos – devolveu as cargas de muitos navios de soja, causando milhões de dólares de prejuízos e derrubando os preços que não mais se recuperaram.
O aumento da safra americana, o ataque da ferrugem e a gripe aviária (que diminuiu o consumo de frangos) – criaram um espectro sombrio para um produto que a humanidade precisa de três vezes maior quantidade de produção anual, do que aquela que tem logrado produzir.
De fato, seria recomendável se produzisse cerca de 100 quilos de soja, para cada habitante da terra, para que fosse assegurada a produção da cota suficiente de carnes, para a segurança alimentar recomendada pela nutrologia.
Assim, ao invés de cerca de 215 milhões de toneladas de soja, o mercado agrícola deveria providenciar estivessem sendo produzidas 650 milhões de toneladas de soja, por ano.
Na realidade, nas próximas décadas, seriam necessárias mais de 800 milhões de toneladas de soja, por ano, porque a população humana será de cerca de 8 bilhões de habitantes.
E, com a explosão do preço do barril do petróleo e a certeza de sua futura escassez, os óleos biocombustíveis e biolubrificantes - obtidos com a soja - sendo os mais econômicos – tornou-se um horizonte previsível a agricultura mundial produzir, anualmente, mais de 1 bilhão de toneladas de do precioso grão dourado.

