A adubação potássica é um componente vital para a sustentabilidade e produtividade das pastagens tropicais, atuando em processos fisiológicos que garantem a sobrevivência e o vigor das gramíneas sob condições de estresse.
1. Introdução
O potássio (K) desempenha funções fundamentais no metabolismo vegetal, sendo o nutriente responsável pela regulação da pressão osmótica e do pH interno da planta. Ele é essencial para a fotossíntese, pois atua na transformação da energia luminosa em química, além de facilitar a translocação de carboidratos das folhas para os demais órgãos e controlar a abertura e fechamento dos estômatos, o que melhora a eficiência do uso da água. Gramíneas deficientes em K apresentam crescimento reduzido, colmos finos com baixa resistência ao tombamento e folhas com bordos amarelados que evoluem para a necrose.
2. Fontes e Doses
A recomendação da adubação deve basear-se na análise de solo, considerando o nível de exigência da espécie forrageira e as perdas do sistema, estimadas em cerca de 30%.
- Doses de Estabelecimento e Manutenção: Para gramíneas de alta exigência (Grupo I), como as do gênero Panicum e Pennisetum, recomendam-se doses entre 120 e 40 kg de K2O/ha no plantio e de 60 a 20 kg de K2O/ha para manutenção anual, dependendo da disponibilidade no solo. Para espécies de média exigência (Grupo II), as doses variam de 80 a 20 kg de K2O/ha no estabelecimento.
- Critérios Específicos: Recomenda-se aplicar 15 kg de K por tonelada de matéria seca (MS) produzida em pastagens sob pastejo, subindo para 20 kg de K por tonelada de MS em áreas destinadas à produção de feno ou silagem, devido à maior remoção do nutriente da área.
- Manejo da Aplicação: Em solos arenosos ou em regiões com alta pluviosidade, doses superiores a 60 kg de K2O/ha devem ser parceladas para evitar perdas por lixiviação.
3. Produtividade e Composição Química da Forragem
O potássio impacta diretamente o rendimento de biomassa e a saúde nutricional da forragem:
- Incrementos na Produtividade: Em Rondônia, estudos com o Capim-Centenário (Panicum maximum) demonstraram que a aplicação de potássio elevou a produção de matéria seca de 2,35 g/vaso (testemunha) para até 6,55 g/vaso com a aplicação de 60 mg/$dm^3$ de K. Em ensaios de omissão, a ausência de K reduziu a produção relativa de Brachiaria brizantha para apenas 42% do seu potencial.
- Qualidade Nutricional: A adubação potássica eleva significativamente os teores de K e nitrogênio (N) no tecido vegetal, embora possa inibir competitivamente a absorção de cálcio (Ca) e magnésio (Mg). No P. maximum cv. Centenário, o teor de K na planta subiu de 1,42% para 1,93% com a fertilização.
- Ciclagem e Reciclagem: O K é o mineral mais abundante no tecido vegetal e sua reciclagem é altamente eficiente. Aproximadamente 85% do potássio ingerido pelos animais retorna ao solo, majoritariamente através da urina (onde se encontra de forma iônica prontamente disponível), o que torna as perdas via produto animal (carne e leite) relativamente baixas.
4. Considerações Finais
Diferente de outros nutrientes, o potássio não forma compostos orgânicos na planta, permanecendo na forma iônica livre, o que facilita sua liberação imediata quando os restos culturais retornam ao solo. A adubação potássica é indispensável para evitar o esgotamento do solo em sistemas intensivos, especialmente quando associada a altas doses de fósforo, que aceleram o crescimento e a demanda por K. O manejo correto garante que a pastagem utilize a água de forma mais eficiente e mantenha a resistência estrutural necessária para suportar o pastejo.
Newton de Lucena Costa (Embrapa Roraima), João Avelar Magalhães (Embrapa Meio Norte)