As atuais regras da prática e do comércio agrícola conduziram o mercado a um estado de desenvolvimento terminal, onde o Brasil pode representar um papel de agravamento mortal ou de reflorescimento.
Os países ricos da OCDE, desde 1990, dão uma ajuda diária de um bilhão de dólares aos seus agricultores e às suas agriculturas, sob as formas de subsídios e de protecionismo. Somadas com as quantias dadas desde o princípio da década de 70, os montantes das ajudas já ultrapassaram 6 trilhões de dólares. Como estes valores nunca foram contabilizados nos custos da produção agrícola, provocaram um efeito cumulativo de implosão de renda, prejudicando os agricultores, as agriculturas e as economias dos países que não puderam subsidiar.
A agricultura brasileira é mais prejudicada pelas políticas agrícolas dos países ricos da OCDE, e, paradoxalmente, a agricultura brasileira é a principal provocadora do aumento e dos níveis de protecionismo e de subsídios praticados pelos países ricos, justamente, pelo aumento da sua produtividade e da competitividade agrícola.
Um exame de algumas componentes da complexa questão agrícola explicam as contradições e apontam os caminhos de solução dos atuais impasses do desenvolvimento da agricultura, do comércio agrícola e da própria economia, revelando como e porque o Brasil, e junto com ele, o Mercosul, a América Latina e a África poderão representar papéis relevantes e vitais ao desenvolvimento e à sustentabilidade do mercado. Vejamos:
1 ) – A pequena elasticidade do mercado agrícola alimentar e a maneira de resolver a questão agrícola.
a – A humanidade e os animais de criação precisam de uma quantia de totalidade determinável de produção, anual, de grãos – para atender as demandas alimentares e nutritivas. Ou seja, os países e os povos necessitam entre 400 e 500 quilogramas de grãos , por pessoa, e por ano, para garantirem a sua segurança alimentar plena.
b - Traduzidos em números, uma população de 6,5 bilhões de habitantes necessita entre 2,60 / 3,25 bilhões de toneladas de grãos, por ano.
c- As terras mundiais próprias para agricultura de grãos somam áreas superiores a 1,5 bilhões de hectares, e, a produtividade agrícola sustentável é de cerca de 4 toneladas de grãos, por hectare, ano. Ou seja, poderiam ser produzidas mais de 6,00 bilhões de toneladas de grãos por ano.

