A estrutura de uma economia sustentável.
A abundância mundial programável
" - Na área dos biocombustíveis o Brasil é realmente um
pioneiro em desenvolver com êxito um programa de
etanol comercialmente competitivo. Eu acho que a longo
prazo isso poderá ter um impacto enorme, bem além do
Brasil."
(Paul Wolfowitz, Presidente do Banco Mundial,
em 20.04.06 )
Neste 2.006, de repente, abriu-se de forma gigantesca as perspectivas do mercado para a produção de álcool combustível.
Trata-se da possibilidade e da oportunidade de aumentar 50-60 vezes o tamanho do agronegócio da cana-de-açúcar para a produção de álcool, nas próximas 3 décadas.
Raciocinar com esta hipótese é preparar, com antecedência, as condições de realização do maior feito da economia, de todos os tempos.
Como é possível passar da produção de menos de 50 bilhões de litros de álcool, por ano, para a produção de cerca de 3 trilhões de litros, anuais, em menos de trinta anos, sem tumultuar o mercado e sem desrespeitar as livres iniciativas?
É criando as regras do jogo e estabelecendo as bases de estruturação e de sustentação deste setor de agronegócios, em sinergia com os demais setores da economia agrícola, e desta com a indústria e com os serviços.
Para fazer isto, a concatenação de um conjunto numeroso de conhecimentos e de providências devem ser articuladas,e manejadas.
Começar com a visão das quantidades, parciais e as totais, finais, sustentáveis, é um primeiro passo.
A previsão deste número de produção, anual, de 3 trilhões de litros de álcool combustível, dentro de cerca de 30 anos, foi baseada no exame atual de consumo mundial de gasolina, imaginando a troca desta, pelo álcool, por três motivos principais: preço mais barato, impacto ambiental muito menor, e geração de empregos mais de vinte vezes maior.
Para realizar a façanha, bastará converter cerca de 500 milhões de hectares de desgastadas pastagens, dos países intertropicais, em canaviais orgânicos.
Na realidade a troca dos combustíveis fósseis, pelos combustíveis renováveis trás outras vantagens essenciais para qualificação do desenvolvimento da agricultura, da economia, da cultura., bem como para a qualificação da relação do homem com a natureza, com a biodiversidade e com a dinâmica mais intensiva da integração e da diversificação dos negócios.
Analisar algumas correlações da sinergia - entre os negócios da cana-de-açúcar e os negócios da soja – num primeiro momento, seria para demonstrar o lado de arma branda benfazeja, que os dois setores de atividades propiciam aos produtores e aos países em desenvolvimento, - para ganharem a batalha final da guerra agrícola, imposta pelas atuais políticas agrícolas dos países ricos da OCDE, desde a década de oitenta, tornando-os, também, beneficiários legítimos da vitória.
Em outros numerosos artigos, frutos de investigações continuadas, desde 1986, procuramos analisar os aspectos deletérios e de caráter bélico, que caracterizaram as políticas agrícolas protecionistas e de régios subsídios, praticadas pelos países ricos, defendendo os interesses dos seus agricultores e das suas agriculturas.
Estes artigos fazem parte do acervo - de fundamentos e de armamentos - que asseguram a linha de defesa e de proposição de um novo acordo agrícola, entre os parceiros da OMC, através do planejamento e da programação da produção e do consumo de álcool combustível e de soja.
Os países ricos da OCDE, quase todos, tem desvantagens comparativas para a produção de energia renovável da cana-de-açúcar e da soja, e não dispõem nem de clima, nem de reservas de terras para a produção destes dois negócios triunfais.
A análise dessa desvantagem dos países ricos fará parte do exame dos fatores que transformam a cana e a soja, como pontas de lança de sustentação dos agronegócios, e dos seus papéis de estruturação da economia sustentável, possibilitando o advento de uma abundância mundial de riquezas, bem distribuídas.

