Agronegócio

A felicidade e o dinheiro

Por: Edivan Júnior Pommerening
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            Em 11 de julho de 2015 o Google mostrou 38 milhões de resultados para o verbete “felicidade” e 128 milhões de resultados para o verbete “dinheiro”, isso somente para páginas do Brasil. Esta pesquisa é relativa para afirmar que o brasileiro pensa quase quatro vezes mais em dinheiro do que em felicidade, mas é um forte indício.

            Em abril de 2015 a Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável, incitada pela ONU, divulgou a edição 2015 do relatório dos países mais felizes do mundo, no qual o Brasil subiu oito posições e chegou ao 16º lugar no ranking de felicidade  (a edição anterior do relatório foi em 2013). A pesquisa contemplou 158 países e fundamentou-se em dados do instituto Gallup.
            O país mais feliz do mundo, segundo o relatório, é a Suíça, seguida por Islândia, Dinamarca, Noruega e Canadá. Já o país mais triste é Ruanda, que sofreu com um genocídio nos anos 1990. A Síria, assolada por uma guerra civil, também está entre os menos felizes, assim como Togo, Burundi e Benin. O ranking é baseado no quanto as pessoas se consideram felizes, entre outras variáveis.
            Diz o relatório que "Cada vez mais a felicidade é considerada uma medida adequada de progresso social e um objetivo da política pública". E complementa: "Um número cada vez maior de governos nacionais e locais estão usando dados sobre felicidade na busca por políticas que possam permitir que as pessoas tenham uma vida melhor".
            Os dados do relatório combinados com o binômio “felicidade” e “dinheiro” sopram algumas reflexões, sobretudo que dinheiro não compra a felicidade, compra conforto, que não deve ser confundido com felicidade. O dinheiro pode nos fazer infelizes ou até furtar-nos a felicidade já conquistada. A felicidade, em contrapartida, pode nos trazer mais dinheiro.

            É frequente a associação de conforto com felicidade, embora o conforto não passe de um devaneio para quem se considera feliz em função dele. O dinheiro traz conforto para o corpo, mas não para a alma. Em situações sobremaneira pontuais o conforto pode contribuir com a felicidade, mas não consegue trazê-la sozinho, sem contar que é inútil a quem está infeliz.
            A máxima que diz: “se dinheiro comprasse felicidade todos os ricos seriam felizes e todos os pobres seriam infelizes” também é verdadeira. Seguindo este mote, pondera-se que o dinheiro foi inventado pelo homem muito depois de ele mesmo ter sido criado, logo, se o dinheiro trouxesse felicidade então antes da sua invenção ninguém era feliz.

            O que realmente precisamos para sermos felizes não custa nenhum centavo, é gratuito, embora a demanda seja maior que a oferta. Se um carro novo trouxesse felicidade, então a partir de R$ 21.990,00 à vista adquiriríamos uma felicidade “zero quilômetro”. Ainda mais barato seria acertar as 06 dezenas da mega-sena da virada, onde cabe a mesma interpretação.
            A felicidade é construída de dentro para fora, portanto, as outras pessoas, o governo, os bens materiais (ou a falta deles), não são responsáveis por nossos momentos infelizes ou nossos insucessos. Os sentimentos bons das outras pessoas tem potencial para tornar-nos mais felizes, mas precisamos aceitá-los, e essa aceitação, reiteradamente, vem de dentro para fora.

            Muitas vezes, conscientemente ou não, trocamos os fatores que sustentam a nossa felicidade por dinheiro, aí ela vai embora. Diante disso é essencial ensinar nossos filhos a correr atrás da felicidade, e não atrás do dinheiro, pois o dinheiro é uma das consequências da felicidade. Diante disso o PIB talvez não seja o melhor indicativo de evolução nacional.
            Felicidade plena é rara, pois normalmente é feita de momentos, que para alguns podem ser mais prolongados e/ou frequentes e para outros mais raros e/ou efêmeros. Parafraseando o guerreiro, escritor e palestrante Volmir Parizotto: “felicidade é um estado de espírito, que depende de fatores psíquicos, sociais, culturais e espirituais”.
            O dinheiro não é um bom indicador de progresso pessoal; a felicidade é. Sendo assim não é correto valorizar ou desvalorizar as pessoas com base no dinheiro que elas possuem, nas roupas que elas vestem ou no carro que elas andam. Geralmente a felicidade está nas pequenas coisas, mas, justamente por serem pequenas temos dificuldades para enxergá-las. As crianças e os idosos percebem-nas com mais facilidade.
            As reflexões acima estão longe de defender a aversão ao dinheiro, pelo contrário, fugir do dinheiro pode ser tão paranoico quanto correr atrás dele displicentemente. O dinheiro é importante, sem sombra de dúvidas, mas não deve ser responsabilizado pela nossa felicidade ou infelicidade, razão pela qual precisamos ter habilidade para dissociar uma coisa da outra.

            Ainda de acordo com Volmir Parizotto, “é preciso buscar o caminho do meio, ou seja, o equilíbrio entre o ter e o ser”. Buscar o dinheiro de forma racional é o mais sensato, enquanto a felicidade deve ser quista com sentimento e sabedoria. Nestes termos conclui-se que a felicidade é sustentada por dois pilares: a paz e o amor, que obviamente não podem ser adquiridos com dinheiro.
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