Esse “vai faltar água” é um falso dilema

Esse “vai faltar água” é um falso dilema

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Água (potável) é um problema para grandes populações urbanas. A falta ocasional de chuvas afeta tanto lavouras como cidades. 

A água não vai acabar como afirmam ONGs e setores interessados economicamente no assunto, e a mídia repete acriticamente a mentira. 

Existe hoje a mesma quantidade de água que existia há 2 mil anos. Em alguns países a água mineral vale muito mais do que 1 litro de leite. 
É um negócio altamente rentável, e esse é o problema, o dinheiro. 

O planeta tem 71% de sua superfície coberta por água. O ciclo hidrológico, ajudado pelos ventos, distribui chuvas pelo planeta afora, exceto nos desertos. O problema está na disponibilidade da água potável para abastecer populações urbanas cada vez maiores, e na redução do desperdício. Os rios urbanos são todos poluídos, degradados pela ignorância são esgotos a céu aberto. 

Busca-se água limpa cada vez mais distante das grandes cidades. 

A agricultura é apontada como responsável por 70% do consumo de água. É uma falácia, e é urgente conscientizar-se que, de 95% a até 99% das águas de todos os rios do mundo chegam aos mares, onde se reinicia o ciclo hidrológico. Ora, os 1% a 5% que faltam nessa conta são consumidos pelos humanos nas suas atividades, como lavar carro e casa, lavar roupa, cozinhar, e também fazer irrigação. São 70% de quase nada. Este cálculo, feito originalmente em Israel, um dos países mais secos do mundo, precisa urgentemente ser revisto para países como o Brasil. Por isso, é um falso dilema esse de que “a água é finita”. É um sofisma, que esconde interesses perversos e inconfessáveis. 

É lógico que barragens, irrigação, hidrelétricas, não interferem no ciclo hidrológico. A gestão da água potável, todavia, é um enorme problema da administração pública, que deve planejar o estoque e o tratamento de água para abastecer tanta gente nas urbes. A falta regional de água provoca migrações, guerras e doenças. Os nordestinos, por décadas, desde o Império, migraram para o Sul e Sudeste, por causa de secas cíclicas. A instalação de milhares de cisternas reduziu a quase zero a diáspora ambiental dos nordestinos. Esse foi um programa inteligente de gestão da água. Mas a briga entre israelenses e palestinos, por exemplo, não é só por qualquer rixa ancestral, mas também pelas águas do rio Jordão.

O que desejam? 
Divulgam-se informações falsas, que tentam macular a imagem da agropecuária brasileira. O Dia Mundial da Água, em 22 de março, foi uma notável oportunidade para debater o uso dos recursos hídricos no país. A agricultura brasileira não é dependente da irrigação, mas algumas regiões somente conseguem produzir alimentos se houver irrigação. Assim, não podemos restringir irresponsavelmente o uso da água, pois há risco de faltar alimento. Aplaudimos a exceção, se houver falta grave de chuvas, quando o abastecimento deve privilegiar o consumo humano. Fora disso, o que se pretende é criar legislação e marcos regulatórios em cima de pânico, para se garantir lucros.

A irrigação no Brasil ocupa 7 milhões de hectares e representa 3% da área de lavouras, excluindo-se a de pecuária. Há potencial de ampliar a irrigação para 10 milhões de ha, um aumento de 47%. Mas os ambientalistas tornaram um inferno a via crucis dos interessados em fazer irrigação: há que se contratar “estudo de impacto ambiental”, pago pelo produtor, que custa caro e é demorado. Sem ele o Finame não libera crédito para a compra de pivôs e equipamentos. Essa proibição é um pequeno exemplo dos marcos legislatórios determinados pelos ambientalistas. Começa aí a longa cadeia de interesses financeiros para tornar a água um problema em estado permanente de crise. Na sequência, governos estaduais cobram pelo uso da água retirada de rios e poços artesianos para irrigação.

Em São Paulo já se pratica esse imposto há vários anos. Que os urbanos paguem pela água tratada que recebem em casa, que chega por tubulações e encanamentos, e depois ainda há os esgotos, nada mais natural, é justo. Agora, exigir que um agricultor pague pela água que retira dos rios ou açudes, por sua conta e risco para produzir alimentos é um artifício político de governos que não sabem mais de onde tirar dinheiro e usam o pânico da população para arrecadar mais, e com isso "mostram serviço" como administradores com "gestão justa", o que é outra falácia.

A soja é a maior área de lavoura do país e não depende de irrigação, porque o plantio coincide, na maioria das regiões, com o período chuvoso. A soja usa apenas água da chuva. 
É uma falácia a afirmação de que a agricultura compete com o consumo humano de água e é responsável pela crise hídrica nos centros urbanos. 

O que se deve debater é a redução da velocidade do crescimento demográfico. Tem muita gente no planeta. 

E gente demais que dá pitaco onde não deve.

Obs. artigo publicado originalmente na revista Agro DBO / abril 2018 / edição nº 98. 

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