O Banco Central e a inflação
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O Banco Central e a inflação

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As funções principais do Banco Central são: manter a inflação sob controle, dentro das metas estabelecidas; estimular o crescimento econômico, sem aquecer em demasia a economia para evitar disparada inflacionária dos preços. É por isso que uma instituição independente ao governo central é importante, pois caso contrário, em épocas eleitorais, os governos de plantão utilizam o Banco Central e suas políticas em benefício próprio, visando reeleições e/ou eleição de seus quadros ideológicos, ou seja, mais privilégios, desestruturando a economia. No Brasil, muito disso ocorreu.

Recentemente o Bacen ganhou mais autonomia (não exatamente independência), podendo atuar com maior liberdade e responsabilidade para com as necessidades estruturais da economia. Dito isso, a disparada da inflação, gestada ainda em 2020, indica que o Banco Central brasileiro errou ao não perceber que a política de juro básico (Selic) muito baixa (2% ao ano) iria provocar uma saída de dólares importante, desvalorizando o Real acima de qualquer justificativa pandêmica, e levando à disparada dos preços, tanto na exportação (estes ainda auxiliados pelo forte aumento de seus valores internacionais), quanto na importação.

Fizemos uma política monetária quando o ideal teria sido uma eficiente política fiscal, ou pelo menos a associação das duas. Assim, ao invés de ser neutra, a taxa de juros deveria ter sido ao redor de 6% a 7% no momento da pandemia, já que a inflação, no seu início, estava em 4%. Ora, ao colocar uma Selic a 2%, geramos juros negativos de uma política expansionista.

Com isso, a pandemia provocou um choque de custos e não de demanda, pois esta caiu fortemente. Resultado: a economia pouco cresceu, enquanto a inflação disparou na sequência. Agora, necessário se faz atuar ao contrário: elevar enormemente o juro, freando ainda mais a economia, para tentar trazer novamente a inflação para a meta (no Brasil o centro da mesma é 3,5% em 2022, quando já nos três primeiros meses do ano ela atinge 11,3%). O tamanho da diferença levará a um custo social elevado, com uma dosagem alta e amarga do remédio (uma Selic entre 12% a 14% no final do ano). Além disso, espera-se que o Banco Central, neste ano eleitoral, mantenha sua autonomia, não cedendo às pressões vindas do governo federal e sua bancada de apoio.

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