O endividamento está posto novamente.
Uma coluna minha publicada em 01/06/2007 neste mesmo sitio https://www.agrolink.com.br/colunistas/endividamento--o-desafio-para-a-producao-agricola_384843.html , portanto há 18 anos, ainda permanece atual. Recomendo a leitura
Agora, não há o que fazer senão, encarar o montante e começar a agir novamente. Não é hora de querer encontrar as “bruxas” deste endividamento. Também não esperemos “milagres” e nem solução “salvadora”.
Sem querer caçar as “bruxas” do endividamento, mas é importante revisarmos algumas atitudes, do passado recente, que conduziram os produtores/empresários rurais, naturalmente ao que estamos vendo agora.
Durante os anos bons, período 2012 à 2020, foram 8 anos de boas e normais safras tanto de inverno quanto de verão. Foi o melhor período para que os produtores/empresários rurais se capitalizassem e mudar o patamar financeiro da propriedade/empresa rural.
Anos ruins viriam? Certamente, como de fato vieram. Mas foi esquecido pela maioria que anos ruins viessem.
Então, foram investimentos massivos em renovação e ampliação de maquinas e equipamentos, com investimentos ínfimos em melhoramento de solo e sistemas de irrigação, (não havia necessidade) não passando de 5% do total investido no período. Houve ainda uma inflação significativa dos arrendamentos. Produtores empresários rurais se propuseram pagar mais caro pelo uso da terra, à terceiros, para crescimento horizontal e aos poucos se descapitalizando, porque todo aumento de negócio, em especial, no crescimento horizontal, há necessidade de mais capital de giro, portanto, começaram a aparecer na carteira de endividamento além dos custeios normais e parcelas dos investimentos mais compras de insumos junto aos fornecedores e cooperativas.
Desde as safras 2011/2012 até 2024/2025 o IICP (Indice de inflação dos Custos de Produção) entre anos de inflação e deflação há o seguinte valor acumulado: 82,24%, já o IIPR (Indice de inflação dos preços recebidos) entre os anos de inflação e deflação dos preços, há o seguinte valor acumulado: 138,55%. Foi possível neste período, para quem observou estas variáveis, a otimização dos resultados da safra com a mesma quantidade comercializada (compras e vendas) comprando insumos e vendendo a produção nas melhores oportunidades tanto de preços, quanto de relação de troca.
O economista-chefe da Farsul, Antônio da Luz, alertou: “Em anos bons como este, vários produtores quebram, mas só ficam sabendo disso daqui 3, 4 ou 5 anos”.
E, os investimentos foram realizados, sem as devidas análises de pagamento, necessidade, urgência, grau de endividamento, impacto de custos e de rentabilidade.
As estiagens recentes e o ano de cheia revelaram com mais ênfase e anteciparam este problema que certamente mais cedo ou mais tarde apareceria para todos aqueles que levam o negócio rural com pouco ou quase nada de análise e gestão econômica e financeira.
Então é hora de agir. Como? Buscando orientação de profissionais que possam lhe ajudar a orçar um:
- Fluxo de Caixa projetado;
- DRE para a próxima safra e;
- Elaborar o Balanço Patrimonial.
- Analisar a possibilidade de desimobilizar alguns Ativos;
- Analisar a possibilidade de reavaliar e/ou renegociar alguns arrendamentos, mais caros;
De posse destas ferramentas, nas quais vão evidenciar a real situação econômica e financeira da propriedade/empresa rural, comece as renegociações das dívidas junto aos Bancos, primeiro aquelas que estão dentro do PL governamental, procurando adequar-se ao máximo e, procurar fazer o mesmo (renegociar) junto aos demais fornecedores.
Sendo necessário, não hesite em fazer os cortes de custos e desinvestimentos, mantendo o planejado no orçamento do Fluxo de Caixa.
Não será fácil, no entanto possível, requer um novo comportamento empresarial junto às finanças da propriedade/empresa rural, muita disciplina para que não mais se repita tal situação.
No episódio de 1995 (Endividamento/Securitização), muitos entenderam a nova realidade à época e se adequaram ao sistema de gestão e controles financeiros, outros, entretanto sucumbiram e saíram da atividade. Não queremos isso novamente.
Desta forma, monte seu plano de trabalho e siga firme no seu propósito de empresariar sua propriedade rural.
Bom Trabalho!
Rogério Bastos
Economista – Corecon/RS 4.327