"Eu acredito que no agro, com criatividade e uma boa história, dá para vender qualquer produto ou serviço no digital".
Oiee, gente! Sejam bem-vindos a mais uma coluna da Flá do Agro.
Se tem algo que aprendi ao longo da minha trajetória no jornalismo, entre reportagens, entrevistas, câmeras, eventos e, mais recentemente, as redes sociais, é que “gente se conecta com gente”. Pode parecer simples, quase óbvio, mas no digital essa verdade ganha uma potência impressionante. Sempre contei histórias para traduzir o agro, os produtores rurais, os desafios de cada safra e as conquistas desse setor imensamente importante para o Brasil e para o mundo. E quanto mais eu colocava minha vivência, mais percebia que o público não lembrava apenas do fato, mas da sensação.
Na complexidade do ser humano, há momentos em que esquecemos o lugar e as palavras ditas, mas lembramos com absoluta nitidez da emoção que alguém nos despertou, de como aquilo nos fez sentir. No ambiente digital, essa verdade se amplifica. Vivemos em uma sociedade onde a informação transborda, os vínculos são mais rápidos e mediados por telas, e a comunicação acontece, quase sempre, pelo celular. Nesse cenário, qualquer gesto de proximidade, autenticidade e emoção ganha ainda mais valor.
Hoje, vejo o conteúdo como uma das formas mais fortes de capital social da nossa era. Em um espaço competitivo, de atenção curta e narrativas que disputam segundos no feed infinito, tem vantagem quem consegue transformar conhecimento em histórias. Não é sobre ter o melhor currículo, é sobre conseguir comunicar quem você é, o que você sabe e por que isso importa para aquela pessoa que está te assistindo.
E é aqui, neste contexto, que entra o poder do storytelling. As narrativas contadas a cada reels de até 1'30” no Instagram ou em materiais mais longos no YouTube e TikTok conquistam quem está do outro lado da tela.
No entanto, existe um truque: quanto mais o conteúdo tiver o que chamamos no marketing de “reciprocidade”, maiores são as chances de fazer a pessoa parar no seu vídeo antes de “scrollar” para o próximo. É preciso entregar valor (algo que inspire ou ensine), antes de receber valor (no caso antes de vender).
Para os profissionais do agro, essa ferramenta pode ser um divisor de águas na carreira. Ao compartilhar seu conhecimento acadêmico e de “roça”, de forma leve, simples e didática, você passa a ser visto em uma dimensão que jamais seria possível fora do ambiente digital.
Obras contemporâneas sobre criação de conteúdo reforçam que são as trocas que constroem identificação. No trecho do livro “Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas”, Dale Carnegie afirma que “quando nos concentramos nos interesses do outro, o resultado é recompensador para ambas as partes”.
“Histórias bem contadas podem se tornar uma ponte emocional que transforma quem te assiste em amigo digital”, o que chamamos de comunidade. Eu confirmo isso na prática: sempre que compartilho bastidores, casos reais ou algo que vivi em campo, a conexão é imediata. É como se o público dissesse: “eu te entendo, porque já senti isso também”.
O conteúdo, portanto, deixou de ser apenas presença online: virou um cartão de visita público, acessível 24 horas por dia. Ele circula por nós, por nossos clientes e pelos futuros clientes. E aqui vai um ponto que sempre reforço em minhas mentorias e palestras: conteúdo e storytelling nas redes sociais são ferramentas para fazer o público lembrar de você quando ele precisar comprar aquilo que você vende.
Quando bem feito, o conteúdo cria laços, aproxima, gera confiança e abre portas. O storytelling pode transformar uma conexão digital em oportunidade real. Histórias têm o poder de nos tornar memoráveis e fortalecer a nossa reputação. E eu acho que você deveria testar esse poder.
Nos encontramos na próxima coluna. Vamo que vai!
Mini bio
Flávia Macedo é jornalista especializada em agronegócio e marketing digital, com mais de dez anos de experiência em comunicação no setor. Fundadora do perfil Flá do Agro, atua como comunicadora e estrategista em marketing digital, mostrando como criatividade e posicionamento podem gerar valor e vendas para o agronegócio. Foi âncora e repórter do Canal Rural e atuou também como repórter especializada da Revista Forbes (Forbes Agro). Atualmente, é repórter correspondente na região Sudeste para o Portal Agrolink.