Feijão entra em 2026 com estoques críticos e preços firmes
Na prática, a liquidez travada não é resultado de retenção especulativa
Agrolink
- Leonardo Gottems
Na prática, a liquidez travada não é resultado de retenção especulativa - Foto: Canva
O mercado brasileiro de feijão entra em 2026 sob forte tensão de oferta, com preços sustentados por escassez física e atraso na entrada da nova safra. Segundo o Instituto Brasileiro de feijão e Pulses (IBRAFE), o fechamento da última sexta-feira confirmou um cenário de extrema fragilidade dos estoques, o que mantém viés altista no curto prazo.
Na prática, a liquidez travada não é resultado de retenção especulativa, mas de falta real de produto nos armazéns. A saca de feijão-carioca segue firme acima de R$ 230 a R$ 240 em São Paulo, Paraná e Minas Gerais, mostrando que quem detém o grão tem poder de precificação. O ponto mais crítico está nos estoques, suficientes para apenas 15 dias de consumo, quando o nível de segurança normal seria próximo de 60 dias, o que deixa o mercado exposto a qualquer choque adicional.
O atraso da chamada safra das águas, que deveria trazer maior oferta agora em janeiro, agrava esse quadro. Além do ritmo lento de colheita, a qualidade irregular cria um mercado segmentado, no qual o feijão de padrão superior, o chamado nota 9, passa a ser ainda mais valorizado. Com isso, não há volume suficiente para forçar recuos relevantes de preços nas próximas semanas.
Ao mesmo tempo, uma mudança estrutural ocorre no cenário internacional. A nova diretriz alimentar dos Estados Unidos, que prioriza comida real e combate ultraprocessados, reposiciona o feijão como uma proteína vegetal natural e saudável. Esse movimento tira o produto da lógica de commodity barata e o eleva ao status de ativo nutricional premium, tendência que também ganha força na Europa, fortalecendo a paridade de exportação e sustentando preços mais elevados no médio e longo prazo.