Fosfato natural - Tudo o que você precisa saber sobre este fertilizante
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Fosfato natural - Tudo o que você precisa saber sobre este fertilizante

Tudo que você precisa saber sobre o fosfato natural.
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Fosfatos naturais são concentrados apatíticos obtidos a partir de minérios fosfáticos, que podem, ou não passar por processos físicos de concentração, como lavagem e/ou flotação, para separá-los dos outros minerais com os quais estão misturados na jazida. Estes minerais apatíticos formaram-se sob diferentes regimes geológicos – ígneos, metamórficos ou sedimentares.

Estes depósitos apatíticos são amplamente distribuídos em todo o mundo, tanto geográfica quanto geologicamente, sendo que existem recursos muito grandes, capazes de atender à demanda global por muitas décadas. As estimativas geralmente indicam um total de 200.000 a 300.000 milhões de toneladas de rocha fosfática, com maior concentração de jazidas no norte da África e Estados Unidos. 

No âmbito nacional, as principais jazidas de rocha fosfática se encontram nas regiões Sudeste e Centro-Oeste do país, com destaque para os fosfatos naturais de Patos de Minas (MG), Araxá (MG), Catalão (GO), Jacupiranga (SP), Abaeté (MG) e Alvorada (SP). Mais recentemente, foi descoberto um depósito no município de Lavras do Sul (RS), de onde será extraído fosfato natural denominado Pampafos. Segundo a EMBRAPA, as reservas geológicas de fosfato natural brasileiras são estimadas em 2,5 a 3,5 bilhões de toneladas, com teor médio de 12%-13% de P2O5.

O fosfato natural é um produto que pode apresentar diferentes níveis de solubilidade, sendo que, geralmente, os produtos que apresentam maior solubilidade são os de origem sedimentar e de natureza não-cristalina. Os que apresentam menor solubilidade (provenientes de rochas ígneas, que apresentam elevado grau de cristalinidade), de modo geral possuem maior efeito residual.     

A legislação brasileira atual indica que, para ser denominado fosfato natural, um determinado fertilizante mineral simples obtido por moagem e peneiramento de rocha fosfática deve apresentar um teor mínimo total de P2O5 de 5%, sendo 15% do teor total solúvel em ácido cítrico a 2% na relação 1:100. Quanto à granulometria, as partículas devem passar, no mínimo, 85% em peneira 0,075 mm (ABNT 200).

Os principais fatores que influenciam a eficiência agronômica dos fosfatos naturais são, principalmente: 

  • Reatividade: o tamanho de partícula tem uma influência importante em sua taxa de dissolução no solo. Quanto mais fino o tamanho das partículas, maior o grau de contato entre o fosfato natural e o solo e, portanto, maior a sua taxa de dissolução;
  • Propriedades químicas do solo: condições de maior acidez do solo, alta capacidade de troca de cátions, baixos níveis de cálcio e fósforo na solução do solo e altos teores de matéria orgânica constituem condições propícias à maior dissolução do fosfato natural;
  • Condições climáticas: quanto maiores os índices pluviométricos, maior será a solubilização, e, portanto, a disponibilização do fosfato natural às plantas;
  • Culturas: espécies que apresentam sistema radicular mais agressivo e desenvolvido, com maior quantidade de pelos radiculares, tendem a apresentar melhor resposta à aplicação de fosfato natural;
  • Práticas de manejo: A incorporação do fosfato natural ao solo, por meio de aração e gradagem, tende a resultar em melhor eficiência agronômica deste fertilizante. No entanto, em sistemas de manejo que adotam o plantio direto, a aplicação a lanço também pode apresentar resultados satisfatórios, em solos com teores médios a altos de P disponível;
  • Época de aplicação: a depender da reatividade do fosfato natural, o momento de aplicação pode se estender desde poucas semanas antes, especialmente em solos ácidos, a até seis meses antes da semeadura de cultivos agrícolas anuais;

A eficácia agronômica do fosfato natural pode ser aumentada por meios biológicos, que se baseiam na produção de ácidos orgânicos para melhorar a dissolução do fosfato natural e a disponibilidade de P nas plantas, tais como: compostagem, inoculação com micorrizas vesicular-arbusculares e uso de microrganismos solubilizadores de fósforo. Além disso, pode-se optar pelo uso de espécies de plantas, ou variedades dentro de uma mesma espécie, mais eficientes na absorção de P. 

No caso de solos ácidos, em que o produtor deseje também fazer a correção do solo, o fosfato natural deve ser aplicado antes da calagem, pois o cálcio presente no calcário poderá formar fosfato de cálcio na reação com o fósforo, indisponibilizando-o às plantas. 

Apesar de seu uso no Brasil ser muito inferior em relação às fontes convencionais mais solúveis, a prática de aplicação direta de fosfato natural como fertilizante apresenta algumas vantagens:

  • Fosfatos naturais são minerais naturais que requerem processamento metalúrgico mínimo. A sua aplicação direta evita o processo tradicional de acidificação úmida para fertilizantes e contorna o ciclo de produção de resíduos poluentes, como fosfogesso e gases de efeito estufa, resultando em conservação de energia e proteção do meio ambiente contra a poluição industrial;
  • Sendo compostos naturais, os fosfatos naturais podem ser usados na agricultura orgânica;
  • Fosfatos naturais adequados para aplicação direta podem ser mais eficientes que os fertilizantes acidulados em termos de recuperação de P pelas plantas sob certas condições;
  • Com base no custo unitário de fósforo, o fosfato natural geralmente é o mais barato;
  • Os fosfatos naturais também podem ter valor agronômico adicional ao fornecer alguns nutrientes secundários, como cálcio, magnésio e manganês; além de micronutrientes, como zinco e molibdênio. Ademais, podem contribuir para redução da saturação por alumínio em solos ácidos, pelo aporte de bases, como cálcio e magnésio.

Quando comparamos os fosfatos naturais de baixa solubilidade com um superfosfato triplo, a comparação não deve ser feita em 1 ano, pois no primeiro ano o fosfato natural reativo pode estar em desvantagem, a depender da sua solubilidade. Assim, para produtos com baixa solubilidade, deve-se comparar em no mínimo 3 anos. Observe a tabela abaixo:

Tabela 2. Eficiência dos fertilizantes fosfatados (Rendimento acumulado de soja)
Fertilizantes fosfatados (t/ha) Rendimento de grãos acumulado de 3 cultivos (t/ha) E ou EqST (%)
1992 1993 1994
Superfosfato triplo 4,37 100 100 100
Fosfato natural farelado 4,62 63 138 167
Fosfato natural moído 4,56 96 112 114
Testemunha 0,45 - - -

Aplicados a lanço e incorporados no primeiro cultivo na dose de 160 kg/ha de P2O5 em solo do Cerrado. Fosfato natural Carolina do Norte. (Rein et al. 1994)

 

Conforme a tabela, podemos perceber que, ao longo dos anos o fosfato natural ganhou eficiência, ultrapassando fosfatos solúveis. O motivo é que, ao longo do tempo, o fosfato solúvel passa por reações químicas o tornando menos disponível (inicialmente ele estava 100% disponível), ficando cada vez mais retido nos óxidos, tendendo a diminuir a sua solubilidade. Já o fosfato natural reativo não se dissolve em poucos dias como a maioria dos fosfatos solúveis, mas leva semanas ou meses para ser solubilizado (é importante ressaltar que tal efeito depende da sua solubilidade, pois existem fosfatos naturais com baixa, média e alta solubilidade). Desta forma, temos pouco fosfato para ser retido nestes compostos, ao mesmo tempo que a planta compete por este fosfato. Assim, ao passar do tempo, o fosfato solúvel vai perdendo solubilidade, e o fosfato natural reativo vai ganhando solubilidade por um tempo, até se estabilizar. Tal fato não significa superioridade de um produto em comparação com o outro, mas que temos diferentes comportamentos (e consequentemente diferentes aplicações) para os produtos.

 

Referências

GOEDERT, W.J.; REIN, T.A.; SOUZA, D.M.G. Eficiência agronômica de fosfatos naturais, fosfatos parcialmente acidulados e termofosfatos em solo de cerrado. Pesquisa Agropecuária Brasileira, v.25, n.4, p.521-530, 1990.

REIN. T.A.; SOUZA, D.M.G.: LOBATO, E. Eficiência agronômica do fosfato natural Carolina do Norte em solo de cerrado. In: REUNIÃO BRASILEIRA DE CIÊNCIA DO SOLO E NUTRIÇÃO DE PLANTAS, 21., 1994, Petrolina. Anais... Petrolina: SBCS/EMBRAPA-CPATSA, 1994. p.96-102. 


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