Alta nas cotações do trigo
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Imagem: Pixabay
ANÁLISE DE MERCADO

Alta nas cotações do trigo

Desde que a guerra eclodiu, há um mês, o mercado externo do trigo vive intensas oscilações. Existem muitas incertezas quanto a continuidade deste conflito e seus efeitos finais após o mesmo ser, de alguma forma, superado
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As cotações do trigo, em Chicago, subiram novamente nesta semana, porém, na quinta-feira (24), com a tomada de lucros pelos operadores na Bolsa, o bushel recuou, fechando o dia em US$ 10,85, contra US$ 10,98 uma semana antes. Lembramos que o trigo é o produto agrícola mais atingido pelo conflito entre Rússia e Ucrânia, fato que tem causado grande volatilidade neste mercado. Enquanto o mercado espera os relatórios de intenção de plantio e de estoques trimestrais, a serem anunciados no dia 31/03, os EUA embarcaram 330.632 toneladas do cereal na semana encerrada em 17/03, elevando o acumulado do atual ano comercial 2021/22 para 16,5 milhões de toneladas. Este total fica abaixo das mais de 20 milhões de toneladas exportadas em igual período do ano anterior.

Desde que a guerra eclodiu, há um mês, o mercado externo do trigo vive intensas oscilações. Existem muitas incertezas quanto a continuidade deste conflito e seus efeitos finais após o mesmo ser, de alguma forma, superado. Por enquanto, o Conselho Internacional de Grãos já reduziu as exportações totais de grãos da Ucrânia para 47,8 milhões de toneladas, contra previsões iniciais de 62,8 milhões, sendo que as vendas externas de trigo foram revisadas de 24,5 para 20,8 milhões de toneladas, enquanto as de milho caíram de 31,9 para 21 milhões de toneladas. Enfim, a área destinada aos grãos de primavera na Ucrânia poderia apresentar uma diminuição de 39%, para 4,7 milhões de hectares, por conta do conflito. (cf. APK-Inform, via Reuters)

Esta situação eleva os preços do trigo no mercado brasileiro, encarecendo as importações e favorecendo as exportações. E a tendência é de preços internos ainda mais elevados para o cereal, pelo menos até o início da colheita da nova safra em setembro. Neste contexto, o preço interno do trigo no mercado gaúcho fechou a semana na média de R$ 98,77/saco, enquanto no Paraná os valores se mantiveram entre R$ 100,00 e R$ 105,00/saco. O ritmo de aumento diminuiu, por enquanto, porém os valores nominais se mantêm em níveis recordes. Cada vez mais o preço interno estará balizado pelas cotações internacionais. Os valores em reais só não são maiores, no momento, porque o Real se valorizou bastante nestes primeiros meses de 2022, batendo em R$ 4,80 por dólar nesta semana. Isso diminuiu o preço de importação do cereal. Mesmo assim, o trigo comprado no exterior, pelos moinhos brasileiros, já aumentou 40% em seu preço desde que o conflito entre Rússia e Ucrânia iniciou. Este fato está levando ao repasse deste aumento aos preços da farinha e outros derivados de trigo ao consumidor final, aumentando a pressão inflacionária interna em nosso país. 

Pelo sim ou pelo não, o fato é que tais preços tendem a elevar a área semeada com trigo nesta nova safra. Para o Rio Grande do Sul, o mercado indica um acréscimo de 13% nesta área, sobre uma área que já havia aumentado bastante no ano passado. Enfim, segundo a Anec, o Brasil deverá exportar mais 522.164 toneladas de trigo em março, não havendo registros de exportação em março do ano passado


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