Análise de mercado do trigo
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Imagem: Pixabay
CHICAGO

Análise de mercado do trigo

A guerra entre Ucrânia e Rússia já dura quase dois meses e mantém um grau de incerteza elevado, já que a região em conflito exporta 30% do trigo mundial
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As cotações do trigo, em Chicago, voltaram a superar o teto dos US$ 11,00/bushel durante a semana, porém, não se sustentaram e fecharam esta quinta-feira (14) em US$ 10,96/bushel, contra US$ 10,20 uma semana antes e apenas US$ 9,84 no dia 1º de abril. Mesmo assim, em nove dias úteis o bushel de trigo recuperou US$ 1,12 A mesma volatilidade que se observa nos mercados do complexo soja se registra também para o trigo em Chicago. A guerra entre Ucrânia e Rússia já dura quase dois meses e mantém um grau de incerteza elevado, já que a região em conflito exporta 30% do trigo mundial.

Devito à guerra estas ofertas ucranianas e russas estão cada dia menores. Além disso, ninguém sabe o que a Ucrânia conseguirá colher de trigo na atual safra, diante da invasão russa. Muitas regiões nem conseguiram semear o cereal. Neste sentido, nesta semana a Associação de Grãos da Ucrânia informou que a produção do país poderia cair para 18,2 milhões de toneladas, quase a metade do que produziu no ano passado.

Todavia, não é só no Leste Europeu que os problemas para o trigo aparecem. A China registra sua pior safra dos últimos anos, sofrendo com adversidades climáticas e a crise dos fertilizantes. Ao mesmo tempo, o trigo de inverno dos EUA não conta com bom desfecho, também em função do clima, o que se estende para a nova safra de primavera estadunidense. (cf. Bloomberg).

Nos EUA, o plantio do trigo de primavera atingiu a 6% da área esperada, no dia 10/04. No ano passado, nesta data, o mesmo chegava a 10%, enquanto a média histórica é de 5%. Já o trigo de inverno estadunidense estava com 32% das lavouras em excelentes condições, contra 53% no ano passado nesta data. Ou seja, neste ano o clima está pior. Hoje, 70% do trigo de inverno dos EUA está sob condição de seca.

Enquanto isso, na Índia a colheita é cheia. Segundo o governo local, o país está preparado para atender a qualquer demanda extra de trigo de compradores do sul e sudeste da Ásia, e também de países mais distantes, na Europa, Ásia Ocidental e Norte da África. A nova safra de trigo da Índia está em andamento, com a produção deste ano podendo chegar a um recorde de 111,3 milhões de toneladas, tornando-se a sexta temporada consecutiva em que o país produz excedentes. Lembrando que a Índia precisa de, pelo menos, 25 milhões de toneladas de trigo por ano para executar um programa de bem-estar alimentar. Por sua vez, os estoques de trigo, nos armazéns do governo, totalizaram 19 milhões de toneladas em 1º de abril, ficando acima da meta de 7,46 milhões de toneladas.

E na Europa Ocidental, mais precisamente na França, os produtores locais devem reduzir o plantio de trigo. Para o trigo macio, que é o cereal mais semeado naquele país, o governo local estima uma área de 4,79 milhões de hectares para este ano, com um recuo de 3,9% sobre 2021 e 0,7% abaixo da média dos últimos cinco anos. Já no mercado brasileiro de trigo, os preços se mostram estáveis. O balcão gaúcho fechou a semana em R$ 94,35/saco, enquanto no Paraná o produto oscilou entre R$ 92,00 e R$ 98,00/saco.

Os preços do cereal nacional continuam relativamente sustentados, porém, menores em relação ao nível alcançado quando do início da guerra Rússia x Ucrânia. O preço indicado pelo comprador gira ao redor de R$ 1.800,00/tonelada (R$ 108,00/saco), tanto posto nos moinhos gaúchos, quanto do Paraná, que também busca, neste ano, abastecimento no mercado gaúcho. Entre os vendedores, o preço FOB gira entre R$ 1.850,00 e R$ 2.000,00/tonelada (R$ 111,00 e R$ 120,00/saco). Já para a safra nova gaúcha existem indicações de preço a R$ 1.750,00/tonelada (R$ 105,00/saco) posto porto de Rio Grande. Como as dúvidas climáticas são muitas, em relação ao que poderá ser a safra nova de trigo, os produtores gaúchos pouco estão vendendo antecipadamente. (cf. De Baco Corretora) Lembrando que os preços no Brasil dependem muito dos preços praticados na Argentina, nosso principal fornecedor de trigo e, por consequência, dependem do comportamento cambial em nosso país.

Por outro lado, em São Paulo, o Estado espera fechar 2022 com uma safra recorde de trigo, podendo a mesma atingir a 400.000 toneladas, segundo as quatro maiores cooperativas paulistas. Lembrando que a safra de 2021, atingida pelas geadas, acabou frustrada.


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