O plantio de arroz no Rio Grande do Sul ultrapassou 70% da área projetada para a safra 2026/2027, impulsionado pela sequência de dias secos e pela elevação das temperaturas. Segundo dados divulgados pela Emater/RS-Ascar no Informativo Conjuntural desta quinta-feira (5), as condições climáticas favoreceram o avanço da semeadura, o desenvolvimento das lavouras e o início dos manejos nas áreas mais precoces. A área projetada pelo Instituto Rio Grandense do Arroz (IRGA) para a safra 2026/2027 é de 861.779 hectares. A produtividade inicial estimada pela Emater/RS-Ascar é de 8.741 quilos por hectare.
O avanço do plantio ocorre após semanas marcadas por excesso de chuvas, baixas temperaturas e nebulosidade, fatores que limitaram o ritmo das operações e o desenvolvimento vegetativo das lavouras. Com o retorno do tempo firme, os produtores conseguiram ampliar a entrada de máquinas nos talhões ainda não cultivados. Apesar do avanço, há áreas próximas da conclusão da semeadura e outras em estágios menos avançados de implantação.
Nas lavouras implantadas mais cedo, os produtores iniciaram a adubação nitrogenada em cobertura e o estabelecimento da irrigação. A maior disponibilidade de radiação solar e o aquecimento durante o dia também aceleraram o desenvolvimento vegetativo das plantas.
Segundo dados divulgados pela Emater/RS-Ascar, a disponibilidade de água para irrigação apresenta condições favoráveis, resultado da recuperação dos níveis de reservação dos mananciais. O cenário climático permitiu retomar parte das atividades que haviam sido prejudicadas pelas condições das semanas anteriores, favorecendo o avanço da implantação e dos primeiros manejos nas lavouras.
Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, o período seco e a elevação das temperaturas favoreceram tanto a semeadura quanto o desenvolvimento das lavouras já implantadas. Em Dom Pedrito, o plantio alcançou 90% dos 34 mil hectares previstos. Em São Gabriel, a semeadura atingiu 55% da área projetada.
Nas lavouras mais precoces, começaram as aplicações de herbicidas pós-emergentes e de nitrogênio em cobertura, seguidas pelo início da irrigação. A sequência busca melhorar o aproveitamento do fertilizante e a eficiência dos tratamentos herbicidas. Parte dos produtores também realiza o tratamento de sementes para proteger as plântulas contra efeitos fitotóxicos de herbicidas pré-emergentes.
Na região administrativa de Pelotas, a semeadura chegou a 85% da área projetada. As lavouras estão em desenvolvimento vegetativo e apresentam crescimento acelerado em resposta aos dias ensolarados e à elevação das temperaturas durante o dia.
Segundo dados divulgados pela Emater/RS-Ascar, o preparo antecipado das áreas, realizado entre março e julho, contribuiu para o avanço expressivo da implantação durante outubro e o início de novembro. Na região de Santa Maria, a semeadura ultrapassou 50% da área prevista. As primeiras lavouras implantadas estão recebendo adubação nitrogenada em cobertura com ureia.
Na região administrativa de Santa Rosa, o tempo seco permitiu dar continuidade à semeadura. Ao mesmo tempo, os produtores acompanham o manejo da água nas lavouras diante da possibilidade de precipitações volumosas, que podem comprometer as taipas. Em Santo Antônio das Missões, o plantio alcançou 52% da área projetada. Em Garruchos, o índice chegou a 25%, enquanto Caibaté registrou 20%.
O acompanhamento das condições meteorológicas e do nível de água nas áreas cultivadas permanece importante para a condução das operações, especialmente diante da possibilidade de chuvas em alto volume.
Na região administrativa de Soledade, o plantio atingiu 45% da área prevista. Houve avanço tanto nos sistemas pré-germinados quanto na implantação em solo seco. O predomínio do tempo firme nas duas últimas semanas permitiu recuperar parte do atraso provocado pelo excesso de chuvas. Conforme o informativo da Emater/RS-Ascar, as lavouras já implantadas apresentam estande e desenvolvimento inicial satisfatórios.
O avanço registrado nas diferentes regiões indica uma retomada das operações de implantação da safra 2026/2027 no Rio Grande do Sul. Com mais de 70% da área projetada já semeada, os produtores seguem com os trabalhos de plantio, irrigação e adubação, enquanto acompanham as condições climáticas para dar continuidade ao ciclo produtivo.