Os biofertilizantes têm ganhado espaço na agricultura por seus efeitos que vão além do fornecimento de nutrientes, mas identificar produtos oficialmente registrados nessa categoria exige atenção à classificação e às informações do rótulo. Segundo informações divulgadas pela Acadian Sea Beyond, os produtos precisam comprovar, por meio de bioensaios, sua capacidade de atuar nos processos fisiológicos das plantas para serem classificados como biofertilizantes pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA).
De acordo com Samir Geraigire Filho, gerente técnico regional Latam Sul da empresa, essa exigência contribui para dar mais transparência ao mercado e segurança ao produtor rural na escolha dos insumos utilizados no campo.
A classificação como biofertilizante exige a comprovação de atividade bioestimulante, independentemente da concentração de nutrientes presente na formulação. Para isso, os produtos precisam passar por bioensaios que demonstrem sua atuação nos processos fisiológicos das plantas.
Anteriormente, determinados produtos podiam ser registrados como fertilizantes organominerais classe A com base nas garantias nutricionais e de carbono orgânico, sem a necessidade de comprovar efeitos sobre a fisiologia vegetal.
Com a classificação específica, o agricultor passa a contar com um critério mais claro para diferenciar os insumos disponíveis no mercado e identificar aqueles que passaram por avaliações técnicas. “Essa exigência representa um avanço para o setor, pois oferece ao produtor mais transparência e segurança na escolha das tecnologias utilizadas no campo”, explica Samir Geraigire Filho.
Uma das formas de verificar a classificação do produto é observar as informações presentes no rótulo. Segundo Samir, os produtos registrados nessa categoria devem apresentar a palavra “biofertilizante” em sua identificação.
No caso das formulações à base de extratos de algas marinhas, também é necessária a declaração da garantia de ácido algínico, componente característico dessas matérias-primas. “Uma das formas de identificar essa classificação é observar as informações presentes no rótulo. Os produtos registrados nessa categoria devem apresentar a palavra ‘biofertilizante’ em sua identificação. No caso daqueles formulados com extratos de algas marinhas, também é necessária a declaração da garantia de ácido algínico, componente característico dessas matérias-primas. Essas informações ajudam o produtor a reconhecer a natureza do insumo e verificar se ele atende às exigências estabelecidas pelo MAPA”, ressalta Samir.
A conferência da classificação, das garantias declaradas e da regularidade do registro ajuda o produtor a avaliar os insumos com mais critério, sem depender apenas das promessas de desempenho apresentadas comercialmente.
A utilização desses produtos ganha relevância diante de desafios como déficit hídrico, temperaturas elevadas e outras condições climáticas adversas, que podem comprometer o crescimento das culturas e seu potencial produtivo.
Nesse cenário, os biofertilizantes podem contribuir para o desenvolvimento vegetal ao favorecer respostas fisiológicas das plantas em situações de estresse. Os resultados, entretanto, dependem das características da formulação e das condições de uso.
Entre as matérias-primas utilizadas na fabricação desses insumos está a alga marinha Ascophyllum nodosum, encontrada nas águas do Atlântico Norte do Canadá.
A espécie é adaptada a condições ambientais extremas, como variações de temperatura e salinidade, além da exposição durante os ciclos de maré. Essas características estão associadas à presença de compostos bioativos que podem influenciar processos relacionados ao desenvolvimento das culturas.
Segundo Samir Geraigire Filho, os compostos presentes na Ascophyllum nodosum podem contribuir para o desenvolvimento das raízes, o aproveitamento de água e nutrientes e a resposta das plantas a condições de estresse. “Os compostos presentes na Ascophyllum nodosum contribuem para o desenvolvimento radicular, o aproveitamento de água e nutrientes e a resposta das plantas a condições de estresse. Esses efeitos são especialmente importantes em uma agricultura cada vez mais exposta às variações climáticas. Em estudos conduzidos pela Acadian, por exemplo, em diversas regiões do Brasil e safras, observamos incremento médio de quatro sacas por hectare de soja tratada com biofertilizantes à base da alga”, destaca.
O resultado citado corresponde a estudos conduzidos pela própria empresa e foi apresentado como incremento médio observado em lavouras de soja tratadas com produtos à base da alga. O material fornecido não detalha as condições experimentais nem os resultados individuais dos estudos.
A Acadian Sea Beyond, especializada em soluções desenvolvidas a partir de algas marinhas, informa que possui produtos formulados com 100% de extrato de Ascophyllum nodosum registrados como biofertilizantes no MAPA.
Segundo a empresa, as formulações passaram por avaliações técnicas que demonstraram sua atividade bioestimulante. A declaração da garantia de ácido algínico nos rótulos também permite ao produtor consultar informações sobre a composição dos produtos.
O que o produtor deve avaliar antes de escolher um biofertilizante
Na escolha de um insumo, o produtor rural deve verificar a classificação indicada no rótulo, as garantias declaradas e a regularidade do registro. Esses cuidados ajudam a diferenciar produtos com características distintas e a avaliar sua adequação ao manejo da lavoura.
“Para o produtor rural, conhecer essas exigências é importante na hora de decidir quais tecnologias incorporar ao manejo. Mais do que observar as promessas de desempenho, é fundamental verificar a classificação, as garantias declaradas e a regularidade do registro. Esses cuidados permitem avaliar os insumos de maneira mais criteriosa, trazendo mais clareza e confiança para o investimento”, conclui Samir Filho.